Ressurreição de Lázaro. Lectio Divina 2017 com Dom Waldemar. 5º Sábado

Repetir com Maria, irmã de Lázaro, várias vezes a breve oração: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo”. Esse foi o chamado no 5º sábado da Lectio Divina 2017 com  Dom Waldemar Passini na Catedral Diocesana de Luziânia /GO.

A Ressurreição de Lázaro. Fonte: RudeCruz

DIOCESE DE LUZIÂNIA – SETOR JUVENTUDE

Ano Mariano Vocacional (CNBB Centro-Oeste)

Catedral de Luziânia – sábado, 01 de abril de 2017

 

5º Domingo da Quaresma

Lectio Divina

(Proclamação do evangelho: Jo 11,1-45)

O incenso que sobe com seu perfume indica quão agradável é a oração de cada um de nós e de toda a comunidade, se elevando a Deus. Viemos mais uma vez para permanecer na presença do Senhor, ouvi-lo, falar-lhe ao coração.

Sejam muito benvindos!

 

Lectio

Jesus como que “ultrapassa os limites” de seus sinais. São seis até este ponto do evangelho segundo João: a transformação da água em vinho melhor, em Caná (2,1-11); a cura do filho do funcionário do rei (4,43-54); a cura do paralítico junto à piscina de Bezata (5,1-18); o sinal dos pães multiplicados (6,1-15); Jesus que caminha sobre as águas (6, 16-21); o cego mendigo visto por Jesus, e que passou a ver (9,1-41); e agora, Jesus ressuscita alguém que, segundo o testemunho de Marta, a irmã do morto, já “cheira mal, é o quarto dia” no túmulo. Este sétimo sinal aponta para o grande sinal da ressurreição de Jesus. E por causa desse sinal, uma multidão se reúne em Jerusalém e o aclama (cf. Jo 12,12ss):

Apanharam ramos de palmeiras e saíram ao seu encontro, gritando: “Hosana! Bendito aquele que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel! ”

(Jo 12,13)

E as autoridades judaicas, sumos sacerdotes e fariseus, se questionam:

Que vamos fazer? Este homem faz muitos sinais.

Eles chegam a uma conclusão:

A partir desse dia, decidiram matar Jesus.

(Jo 11,47b.53)

Os sinais conduzem à fé em Jesus com toda a nitidez. Por incrível que pareça, os sinais também podem aqueles que não os acolhem ao fechamento, na própria escuridão. Não há meio termo entre crer e não crer em Jesus, do mesmo modo como não há viver ou morrer em meia medida. A não acolhida de Jesus gera hostilidade à sua pessoa.

É nesse contexto de rejeição a Jesus e de ameaça que ouvimos Tomé relutante diante da ideia de os discípulos irem com Jesus a Betânia, bem perto de Jerusalém. Tomé, então, diz aos companheiros:

“Vamos nós também para morrermos com ele!”

(Jo 11,16b)

Jesus, no entanto, tem outra perspectiva:

“Lázaro morreu! E, por causa de vós, eu me alegro por não ter estado lá,

pois assim podereis crer. Mas vamos a ele”.

(Jo 11,14c.15)

Logo que eles chegam a Betânia, o relato, no diálogo entre Jesus e Marta, põe em destaque a fé. Ela disse a Jesus:

“Senhor, se estivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido.

Mesmo assim, eu sei que o que pedires a Deus, ele te concederá”.

Jesus respondeu: “Teu irmão ressuscitará”. Marta disse:

“Eu sei que ele vai ressuscitar na ressurreição do último dia.

(Jo 11,21-24)

E, depois de ouvir de Jesus que ele é a ressurreição e a vida, que ele é princípio vivificador para vivos e mortos, ela manifesta a maturidade de sua fé. Jesus lhe pergunta: “Crês nisto? ”

Ela respondeu: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Cristo,

o Filho de Deus, aquele que deve vir ao mundo”.

(Jo 11,27)

Depois, Marta foi chamar sua irmã, Maria. Esta, ao encontrar Jesus, faz a mesma consideração que sua irmã:

Quando o viu, caiu de joelhos diante dele e disse-lhe:

“Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido”.

(Jo 11,32b)

A oração – diálogo com Jesus – não se dá agora como profissão de fé, mas como intimidade e confiança que se manifestam em lágrimas: de Maria e de Jesus!

Quando Jesus a viu chorar, e os que estavam com ela, comoveu-se interiormente e perturbou-se. Ele perguntou: “Onde o pusestes?”

Responderam: “Vem ver, Senhor!” Jesus chorou.

(Jo 11,33s)

Está claro o motivo pelo qual Jesus se envolve, mesmo emocionalmente, neste momento. Já o aviso dado a Jesus pelas duas irmãs, no início do texto, é indicativo:

“Senhor, aquele que amas está doente”.

Mais à frente, se reafirma o vínculo de Jesus com os três irmãos:

Jesus tinha muito amor a Marta, a sua irmã Maria e a Lázaro.

E o próprio Jesus, declara:

“Nosso amigo Lázaro está dormindo. Mas, eu vou acordá-lo”.

(Jo 11,3.5.11)

Ao ver Jesus chorar, os próprios judeus disseram: “Vede como ele o amava!” (v.36)

O evangelista nos apresenta com intensidade a força que move Jesus na realização dos sinais: o amor. Os sinais suscitam a fé nos que o acolhem, e também indicam o laço de amor, seu vínculo com o Pai, que Jesus estabelece e comunica em seu agir. Vejamos!

Tiraram então a pedra. E Jesus, levantando os olhos para o alto, disse: “Pai,

eu te dou graças porque me ouviste! Eu sei que sempre me ouves, mas digo isso por causa da multidão em torno de mim, para que creia que tu me enviaste” Dito isso, exclamou com voz forte: “Lázaro, vem para fora!” O que estivera morto saiu…

(Jo 11,41-44a)

 

Meditatio

Eu sei que sempre me ouves…

O evangelho nos mostra que a mesma amizade, o mesmo amor que Jesus tinha por Marta, Maria e Lázaro, também tem pelos primeiros discípulos; e mais, ele o tem por cada um de nós.

Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Permanecei no meu amor.

Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai.

(15,9.15)

Eu rogo por eles… Pai Santo, guarda-os em teu nome, o nome que me deste, para que eles sejam um, como nós somos um. E eu seja glorificado neles.

Eu não rogo somente por eles, mas também por aqueles que vão crer em mim pela palavra deles. Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim, e eu em ti. Que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste.

(17,9s.20s)

Portanto, nosso vínculo com a pessoa de Jesus, o Filho de Deus, é sempre atual, ativo. Podemos contar com ele, que nos ama com afeição, interessando-se por nós. Ele não quer somente o nosso bem, mas nos quer bem e nos conquista para si, mistério de amor e vida. Diante de tantas ameaças que nos atingem, Jesus, ao rogar por nós ao Pai, sabe que sempre é ouvido. E dirige uma palavra de ressurreição para nós: – “amigo, sai do túmulo, vem para fora! ”.

Vem à mente a linda imagem da “ressureição” de Israel, quando se sentia morto no exílio, “como uma planície repleta de ossos”. É o profeta Ezequiel que tem a visão (cf. Ez 37,1-14). A um dado momento, o Senhor dirige a palavra ao profeta:

Ele me perguntou: “Filho do homem, estes ossos poderão reviver?”

Eu respondi: “Senhor Deus, és tu que sabes!” E ele me disse: “Profetiza sobre estes ossos e dize-lhes: Ossos ressequidos, ouvi a palavra do Senhor!”

A visão impressionante se conclui do seguinte modo:

Profetizei conforme me fora ordenado, e o espírito entrou neles.

Eles reviveram e se puseram de pé qual imenso exército.

(Ez 37,3-5.10)

E Deus mesmo reproduz a fala do povo sobre seu sentimento de morte:

Eles dizem: ‘Nossos ossos estão secos, nossa esperança acabou, estamos perdidos!

Por isso, profetiza e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Ó meu povo,

vou abrir vossas sepulturas! Eu vos conduzirei para a terra de Israel.”

(Ez 37,11b-12)

Não seria a falta de esperança uma doença que atinge muitos irmãos em nossa sociedade, e até mesmo em nossas comunidades?

Quantos de nós a segurança da fé nas palavras de Jesus!

– Amigo, …vem para fora. Desatai-o e deixai-o ir.

Aos sem esperança por falta de trabalho e oportunidades, diz o Senhor:

– Amigo, …vem para fora. Desatai-o e deixai-o ir.

Aos sem esperança, mergulhados no materialismo e no mundanismo, diz o Senhor:

– Amigo, …vem para fora. Desatai-o e deixai-o ir.

Aos sem esperança, por falta de horizontes de fraternidade, diz o Senhor:

– Amigo, …vem para fora. Desatai-o e deixai-o ir.

A quem se entregou às drogas na busca de esperança, diz o Senhor:

– Amigo, …vem para fora. Desatai-o e deixai-o ir.

A quem se encerrou no egoísmo do prazer individual e não aceita o compromisso do amor conjugal no matrimônio, diz o Senhor:

– Amigo, …vem para fora. Desatai-o e deixai-o ir.

Àqueles que, não percebendo a necessidade que o Povo de Deus tem de vida nova, se escondem diante do chamado vocacional, diz o Senhor:

– Amigo, …vem para fora. Desatai-o e deixai-o ir.

Ezequiel nos ajuda a pensar para além da ‘vantagem’ pessoal ou familiar do retorno à vida. Deus está realizando a ressurreição de um povo! Ossos que se reerguem, nervos, músculos e peles que se recompõem. E mais, uma alma cheia de esperança no poder de Deus-amor reanima nossos grupos, pastorais e comunidades nestes dias quaresmais.

– Senhor, basta uma palavra e serei salvo!

– Ei-la: Amigo…!

 

Oratio

Com o salmista, poderemos cantar: “Minha alma espera no Senhor, mais que o vigia pela aurora”. Eis a grande escola de oração que são os Salmos. Rezemos – Sl 129(130).

 

E agora, façamos as nossas preces. Digamos juntos, com Maria:

R.:    – Eis-me aqui, Senhor!

  1. Animados por tua Palavra de Vida, enviai-nos, Senhor, como mensageiros do Teu amor, terno e afetuoso.      R.
  2. Devolvei-nos, Senhor, inflamados no amor pela Igreja, àqueles que estão afastados de Ti, mas nos encontram ao longo da semana. Dá-nos viver como testemunhas da alegria e da esperança.     R.:
  3. Participando de Tua ressurreição, Jesus, concedei-nos a coragem de viver por Ti, entregando-Te nosso tempo, nossos afetos, nossos talentos, nossos bens materiais. Tudo para maior glória de Deus! …..R.:

 

Contemplatio

(Abrace uma palavra meditada, deixe-a crescer em seu interior na presença do Senhor. A contemplação exige de nós mais abandono, e quase nenhum esforço.)

 

Actio

  1. Repetir com Maria, irmã de Lázaro, várias vezes a breve oração: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo” (Jo 11,27).
  2. Manifestar a ternura por gestos de amor aos seus familiares.
  3. Deixar-se iluminar pela Escritura na leitura contínua: evangelho segundo Mateus, ou outro livro da bíblia.

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