A Cruz é o troféu do cristão. Dom Adair no 21º Canta Jardim

“É na Cruz que vai embora todo o sofrimento, as angústias, porque tudo morre aos pés da Cruz de Jesus Cristo. A Cruz é o troféu do cristão e nos aponta para a glória do ressuscitado”, destacou Dom Adair em sua homilia no encerramento do 21º Canta Jardim.

Dom Adair na Missa de encerramento do 21º Canta Jardim.
Foto: Gabriel Laurindo, Comunidade Mel de Deus.

Na tradição da Igreja, o sol representa o Cristo ressuscitado e a lua representa Nossa Senhora. O sol, que é Cristo, tem luz própria e Nossa Senhora brilha com a luz de Cristo para nos iluminar com os raios do seu Filho misericordioso.

Estamos no mês da Bíblia, no mês da Palavra de Deus e vamos meditar a primeira carta de São Paulo aos Tessalonicenses que vai nos ajudar a refletir sobre a volta de Nosso Senhor. A Igreja é, neste mundo, sinal de Deus e a missão da Igreja é evangelizar. Certa vez, Santa Tereza de Calcutá resumiu:  “Evangelizar é ter Jesus no coração e levá-Lo aos outros”. A evangelização não é atribuição apenas de alguns na Igreja, mas sim, de todos nós, batizados. Devemos nos sentir responsáveis por evangelizar, seja corpo a corpo, através das mídias sociais, pregações, até mesmo um telefonema, algo que fale do céu para o coração de quem está aqui na terra. A evangelização brota de um coração seduzido pelo poder de Deus.

Na leitura de hoje o profeta Jeremias fala sobre isso, sobre a experiência de ser seduzido e se deixar seduzir por Deus. Sem a experiência viva de Nosso Senhor Jesus Cristo no coração, não é possível evangelizar. E essa experiência só é possível quando nos abrimos ao Espírito Santo. Sem essa experiência, passamos pela terra sem entender o sentido da vida. Não há neste mundo nenhuma resposta tão convincente quanto a mensagem de Nosso Senhor Jesus Cristo ao coração da pessoa humana. A nossa reposta está no crucificado, que foi morto para nos salvar, e ressuscitou para abrir para o caminho da glória, do céu. Filhos e filhas, assim como o salmista de hoje, devemos cantar a Deus: “A minh’alma tem sede de vós, como a terra sedenta, ó meu Deus! A palavra de Deus na Sagrada Escritura é a palavra do Verbo, de Cristo que desce ao coração sedento, necessitado.

A palavra de Deus é como a chuva que estamos esperando para regar a terra seca. Muitas vezes o nosso coração é essa terra seca que está carente desta água que é o próprio Jesus. Ele mesmo nos diz que ele é a água viva, e é essa água que devemos querer no mais profundo da nossa vida, para sermos, neste mundo, os sinais de Deus. Para os pagãos que vivem imersos na mentalidade da revolução cultural marxista, que tira Deus do coração das pessoas, é um absurdo ver uma reunião como a de hoje, com tantas pessoas unidas para falar do sobrenatural, para cantar os louvores a Deus, recitar o terço aos pés de Nossa Senhora. Mas estamos aqui porque temos a certeza de que fomos resgatados por Nosso Senhor. Cremos, pelo batismo, que nossos pés estão na terra, mas o nosso coração está no céu. Esse é o sentido da nossa vida! Esse é o caminho que devemos buscar.

São Paulo hoje nos exorta a sermos sacrifícios vivos para Deus, cuidando de tantas e tantas pessoas. O homem não é como os animais. O homem tem alma e espírito; não tem apenas uma vocação para esta terra, mas uma vocação transcendente, uma vocação para Deus. Não temos como mostrar a uma pessoa o verdadeiro caminho, senão mostrar-lhe a Cruz de Cristo. É na Cruz que encontramos o sentindo da nossa vida. É na Cruz que vai embora todo o sofrimento, as angústias, porque tudo morre aos pés da Cruz de Jesus Cristo. A Cruz é o troféu do cristão e nos aponta para a glória do ressuscitado. É por isso que Jesus repreende a Pedro quando ele não queria que Jesus se oferecesse em sacrifício. A crucificação naquela época era a maior atrocidade que se cometia e é por isso que Pedro não quer o sacrifício de Cristo, e Jesus fala a Pedro: “Saia daqui Satanás”! Naquele momento não era o apóstolo a falar, mas o demônio que falava em Pedro, por isso Jesus o repreende dizendo que “tu és para mim uma pedra de tropeço”. Mas Satanás não desiste e ele continua nos dizendo que a Cruz é bobagem. Para que ela serviria? Quantas vezes nós somos sacrificados pela Cruz que carregamos? Nós cristãos precisamos lembrar que a Cruz que está no nosso peito é a nossa vitória. O cristão não olha para trás, mas apenas para frente. Não queremos olhar para trás, para a lembrança dos pecados que deixamos. A confissão quebra o profundo abismo do nosso coração, onde muitas vezes fica semeado o orgulho do demônio, onde está a miséria de satanás. A confissão resgata a nossa alma, nos tira do abismo. A tentação continuará nos perseguindo, mas devemos levar apenas Jesus no nosso coração e a sua palavra que diz: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga”.

Ninguém pode ser cristão de verdade se não se desapegar das coisas do mundo. O cristão precisa voltar à radicalidade do Evangelho, sem querer ser melhor do que ninguém, porque não o somos, mas entendendo que devemos ser diferentes daqueles que são pagãos. Somos chamados não a sermos melhores do que os outros, mas a sermos diferentes porque fomos resgatados por Cristo, transformados por Jesus. De que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro mas perder a sua vida? Não apegue o seu coração às coisas e aos bens deste mundo. Nós nascemos nus, terminamos a nossa vida nus, porque ficamos na mesma condição com que nascemos. Devemos praticar o desapego, a humildade, pois se vocês querem quebrar a cabeça do inimigo, sejam humildes, porque o demônio tem como marco o orgulho, e quando uma pessoa é soberba, orgulhosa, ela serve ao demônio. A nossa reposta deve sempre ser a humildade. Nada deve amarrar o nosso coração neste mundo, mas sim, devemos amar com toda profundeza da nossa alma, sermos livres. Não podemos ter medo, mas carregar a cruz.

É assim que Nossa Senhora quer vencer, ela que é imaculada, totalmente pura, quer nos dar a graça de uma morte santa ao final da nossa vida. Ela quer que nós sejamos homens e mulheres zelosos pela nossa vida, sem medo de seguir a Deus. Se nós fazemos a vontade Deus, confiamos na coroa da vitória. Nossa Senhora nos acompanha com a sua intercessão, para que agrademos a Deus neste mundo e não às coisas passageiras. Ela nos ajuda para que ao final da nossa vida possamos, depois de ter vivido uma vida em busca da santidade, de uma vida em Deus, chegarmos ao céu com o Senhor.

Transcrição e adaptação: Larissa Leles e Luciana Melo - Com. Mel de Deus

Deixe uma resposta