É tempo de misericórdia. 2º dia da semana da Transfiguração com Frei Josué

É tempo de praticar a misericórdia, como São João Paulo II atualizar essa misericórdia todos os dias naqueles desafios pelos quais nós menos esperamos.

Clique aqui e confira as FOTOS do 2º dia da Semana da Transfiguração 2017. Fotos: Paula Fonseca e Carla Alves

Estamos na segunda noite da semana da transfiguração, e continuamos a nossa meditação sobre São João Paulo II. Deus lhe deu a graça e a missão de ser o vosso pai na fé, nessa passagem tão importante do segundo para o terceiro milênio. Um tempo de guerras, de confusão religiosa, de seitas, incertezas, violência, maldade, mas também um tempo de tantos santos, e de tantas oportunidades de ganharmos aquilo que há de mais precioso para nós, que é salvação, que Jesus mesmo por nós já conquistou. São João Paulo II, viveu duas guerras mundiais.

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Na sua infância, viveu debaixo da primeira guerra mundial, vendo o seu pai, um oficial do exército vir a morrer. Depois, viveu o horror da segunda guerra mundial, justamente no lugar onde essa guerra foi mais terrível, e que afetou muito a Polônia. Na Polônia, temos o campo de concentração nazista mais terrível, conhecido como Auschwitz, onde, ainda hoje, quem entra naquele lugar de horror sente todas as atrocidades que ali foram cometidas. Entretanto, também ali foi lugar de pessoas extraordinárias como São Maximiliano Maria Kolbe, que, no meio daquele inferno, doou a sua própria vida no lugar de um pai de família que seria assassinado.

São João Paulo II passou no meio de todos estes acontecimentos, vendo a sua Polônia ser massacrada pelos nazistas, e depois libertada pelos soviéticos comunistas que implantaram um sistema mais terrível que os nazistas, o ateísmo, e ainda assim, ele manteve a sua fé, sem culpar ou julgar a Deus. Como sabia-se que a Polônia era muito católica, muito fiel a Deus e a igreja, os nazistas faziam de tudo para destruir a fé já começando pelas crianças, para formar uma geração de pagãos, de ateus, que dominaria o mundo. Eles queriam varrer da terra o catolicismo, a fé, e tinham um ódio particular pela igreja católica, porque o demônio sabe que a igreja que Jesus Cristo deixou nesta terra é a igreja católica, que é a única igreja que pode nos trazer Jesus inteiro, e por completo, pela eucaristia. É, também, a única igreja que tem Nossa Senhora, aquela que pode esmagar a cabeça da serpente, o que faz com que o demônio tenha um ódio e faz de tudo para acabar com a igreja católica.

Nesse sentido, a Polônia, que é uma nação quase 100% católica, foi muito massacrada, sofreu muita perseguição. A intenção era que o comunismo tomasse conta do povo, e que a igreja católica fosse retirada do meio deste caminho. Apesar de tudo aquilo, aquela nação fiel a Deus e à Nossa Senhora foi preservada, e justamente no meio dessa guerra Deus fez surgir uma grande benção, uma devoção que Deus sabia que seria uma devoção para estes tempos, capaz de salvar este mundo da autodestruição, da loucura que se encontra, fazendo nascer, naquela terra santa, a devoção à Divina Misericórdia.

Uma jovem freira muito humilde, chamada Faustina Kowalska, teve a revelação da parte de Deus desta devoção. São João Paulo II, durante seis anos, após descobrir a sua vocação sacerdotal e decidir doar a sua vida aos jovens e à igreja, começa a estudar no seminário, clandestinamente, no período da noite, porque naquela época os nazistas não permitiam que o seminário funcionasse. Assim, ele tinha que viver como um jovem leigo, tendo que trabalhar e estudar escondido, e por isso, durante o dia, foi trabalhar num local justamente vizinho ao Santuário da Divina Misericórdia, onde Santa Faustina morava.

Ali onde se cultuava a Divina Misericórdia, dizem os biógrafos que São João Paulo II, no intervalo de seu trabalho, no horário do almoço, corria de onde trabalhava para rezar naquela mesma capela onde estava o quadro de Jesus Misericordioso, e que hoje se encontram as relíquias de Santa Faustina. Diante disso, temos a plena certeza que foi a Divina Misericórdia que sustentou aquele jovem, aquele seminarista tão solitário, que não tinha mais nem pai, nem mãe, nem irmãos. Só tinha a Deus, à igreja, e um grande amor por Nossa Senhora.

Foi a Divina Misericórdia que o sustentou, que o levou a perdoar e a rezar por aqueles que faziam tanto mal, que eram os nazistas e os comunistas. O mal não é uma força criativa, ele se destrói por si mesmo. Quando começamos a fazer o mal aos outros, somos nós mesmos que vamos nos destruindo, e aquilo pode virar contra nós mais cedo ou mais tarde. Por isso, não podemos usar as mesmas armas de quem faz o mal, mas sim, temos que rezar, temos que descobrir a força da fé, do perdão, e da misericórdia.

Temos dois livros que ajudaram demais São João Paulo II a chegar a este entendimento. O primeiro livro foi A Noite Escura da Alma, de São João da Cruz, considerado um clássico da espiritualidade, e que nos ajuda a entender o mistério da Cruz. O livro nos mostra o porquê que Deus permite o sofrimento e a dor. Se existe algum propósito nisso. E como podemos ver a luz da fé, de um Deus de amor e de misericórdia, no meio de tanto sofrimento e de tanta maldade. O segundo livro que ajudou São João Paulo II, foi o tratado da verdadeira devoção da Virgem Maria, que fundamentou a sua fé e a devoção à Nossa Senhora. Com esses dois livros, baseando-se também na Divina Misericórdia, São João Paulo II teve forças, porque na Divina Misericórdia essas duas forças que é a Virgem Maria e a bondade de Deus diante do sofrimento, ali se encontram, nessa devoção tão bonita.

São João Paulo II, passou pelo período de seminário, depois foi ordenado sacerdote ainda muito jovem, depois logo aos 38 anos foi bispo, e logo depois, como bispo, começou a ter oportunidade, de estudar profundamente os escritos da devoção à Divina Misericórdia. São João Paulo II foi esse que trabalhou com os jovens, teve a oportunidade de enfrentar o regime comunista e foi tantas vezes a Roma, sobretudo para estudar. E foi lá, no Sul da Itália, que ele encontrou São Padre Pio, participou de uma Santa Missa com ele, e depois se colocou na fila para se confessar. Foi no momento dessa confissão, segundo o testemunho de alguns frades, que São Padre Pio disse que havia na fila da confissão um jovem sacerdote Polonês, que estuda em Roma e que seria muito necessário para a igreja. E com certeza, São Padre Pio profetizou na vida de São João Paulo II, sobre o seu caminho na igreja. Dessa visita em diante, se São João Paulo II já era animado, fortalecido, ele cada vez mais tomou animo e força após ouvir São Padre Pio.

São João Paulo II se tornou cardeal, participou do Concílio Vaticano II, fez grandes pregações, e queria que a igreja adquirisse essa nova linguagem, uma evangelização com novas formas, novo ardor, para alcançar o homem moderno. O homem precisava encontrar um Deus de misericórdia, que falasse ao seu coração e que se preocupava com os problemas da humanidade. Um Deus que nos entende, que se fez homem. Essa foi a grande luta de São João Paulo II, e nela, ele teve uma grande missão, que mais uma vez está relacionada à Divina Misericórdia.

A igreja como uma mãe mestra, prova todas as devoções. Toda obra de Deus tem que ser provada, e ela é conferida pelas autoridades da igreja. Naquela época, a igreja tinha proibido que a devoção à Divina Misericórdia fosse publicada, por não ter entendimento e por tantas perseguições à obra. Somente as irmãs que viveram com Santa Faustina, mantinham aquela devoção.  São João Paulo II quando entra como cardeal arcebispo de Cracóvia começa a ler todos os escritos, fundamenta e mostra ao Santo Padre o Papa Paulo VI, que então entende que aquela é uma devoção autentica, conforme a Palavra de Deus e a sagrada tradição da igreja, e logo após isso tira aquele veto, e a devoção começa a surgir de novo com toda força.

Deus já tinha dito no Diário de Santa Faustina, que seria da Polônia que sairia uma fagulha que ia levar um fogo novo para preparar a sua segunda vinda. Os historiadores acreditam que essa fagulha se trata de São João Paulo II, em razão dessa espiritualidade que ele propagou para o mundo, é a Divina Misericórdia. São João Paulo II, quando bispo, foi até a irmã que mais perseguiu Santa Faustina, a irmã Perpétua, e lhe ordenou que, para redimir toda a maldade que ela tinha feito à Santa Faustina, ela deveria correr atrás, como todo esforço possível, da beatificação da irmã Faustina. E aquela mulher, reconhecendo o seu erro, em pouco tempo conseguiu juntar todas as evidências. São João Paulo II, quando papa, no ano 2000, após beatificar e canonizar Santa Faustina, institui a festa da Divina Misericórdia, e inaugurou na Polônia, sua terra, o primeiro Santuário da Divina Misericórdia.

Hoje toda a igreja conhece a devoção da Divina Misericórdia graças a São João Paulo II. Estamos nos últimos tempos, no tempo de misericórdia, e ouvimos no evangelho que um dia chegará o tempo da justiça de Deus. Deus vai mandar os anjos Dele para separar o joio do trigo, uns vão para o céu, outros vão para o fogo do inferno, onde a justiça implacável será feita. E, esse dia está cada vez mais perto meus irmãos, por isso devemos aproveitar esse tempo da misericórdia. É tempo de misericórdia. Não sabemos quando iremos voltar a Jesus ou quando Jesus irá voltar a nós, por isso é preciso que aproveitemos o tempo da misericórdia que será a nossa última tábua de salvação. Hoje, recebemos de Deus este convite através de São João Paulo II. Aproveitemos o tempo de misericórdia, porque, quando chegar o tempo da justiça ninguém estará pronto senão tiver sido preparado antes pelo Senhor.

Transcrição e adaptação: Larissa Leles

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