Imaculada, Mãe da Misericórdia. Dom Waldemar no 20º Canta Jardim

 

Dom Waldemar, bispo coadjutor de Luziânia /GO, esteve no 20º Canta Jardim e mostrou como Maria foi sustentada pela misericórdia divina e se tornou mãe da misericórdia.

Dom Waldemar Passini no 20º Canta Jardim

Sempre que falamos de Deus já dizemos que “Ele é amor e misericórdia”. Então podemos nos perguntar: como Maria se coloca nessa atuação de misericórdia junto a nós?

Quando visita sua prima Isabel, Maria canta a misericórdia de Deus, dizendo: “A minha alma engrandece o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador…..” Portanto, Maria foi alcançada pelo amor de Deus: “Sua misericórdia se estende de geração em geração.(Lc 2) Tem um segredo aqui neste canto de Maria. Ela, reconhece a misericórdia de Deus como membro de um povo amado e ao qual Deus é fiel, a raça de Israel.

Temos duas histórias da atuação favorável de Deus para com o povo de Israel, que eu queria mencionar nesta pregação: é a de Davi, quando movido pela cobiça de ter a mulher de Urias, trama a morte dele para ficar com sua esposa.

É impressionante pensarmos que Deus, mesmo diante da culpa de Davi pela morte de Urias, ainda envia um profeta para mostrar para Davi o erro que ele tinha cometido. E o que Deus queria com isso? Que ele se arrependesse. Deus não queria castigá-lo, mas queria que ele experimentasse toda a sua benevolência e misericórdia.

Davi era um pastor de ovelhas, e, pela bondade de Deus, foi feito pastor de um povo. E qual foi a resposta de Davi? Matar um homem e dormir com sua esposa. Mesmo assim, depois disso tudo, Deus perdoa Davi. Além do perdão, Deus abençoa Davi com seu segundo filho, que será o rei Salomão. Isso mostra que o perdão de Deus abre espaço para que ele continue a história da salvação durante toda a vida da pessoa.

O jeito que Deus vê a fragilidade humana, não é o modo como nós vemos, e Maria vê justamente esse lado de Deus.

Maria fazia parte daquele povo de Israel que vivia e expectativa de um novo rei, um filho de Davi. Não um filho segundo a carne, mas um sucessor que pudesse governar o seu povo, segundo o espírito de Deus, com a sabedoria de Davi.

Tem uma outra história, que não envolve pecado, mas mostra também a misericórdia de Deus para com o seu povo: É a história da rainha Ester! O rei persa, depois de ser rejeitado numa circunstância uma rainha, ele resolver escolher uma outra rainha, e escolher Ester, que era judia, tinha sido criada por seu tio, mas ninguém sabia da sua origem. Ester era a rainha dos Persas, e o rei Persa faz um decreto em seu reino de perseguição ao povo judeu, mas Deus, com sua misericórdia, usa Ester, que era rainha, judia, para salvar este povo.

Ester, em nome do seu povo judeu, tem a coragem de se aproximar do rei e interceder ao seu povo. Ester vai expor sua própria vida, porque ela só podia falar com o rei, estar diante dele, se o rei a chamasse. Mas, nesse dia, ela vai ao encontro do rei, mesmo sem ser chamada, para suplicar pela vida do seu povo, depois de ter jejuado, orado incessantemente junto com o seu povo, e o rei cede. Isso é uma bondade de Deus! Essa é uma forma que Deus usou para salvar aquele povo, através da rainha Ester.

Essa é a misericórdia de Deus, é um amor que faz com que Deus se aproxime de nós. Maria conhecia esse amor, conhecia um Deus que amava o seu povo, que intervinha, que não  ficava longe.

O texto que está na origem de todas as intervenções de Deus na história, começa em  Êxodo, 3, 7 quando Deus se revela a Moisés. Olha como Deus se revela a Moises! Deus se revela como um Deus sensível ao seu povo, sensível às suas aflições.

Em êxodo 3,8 – Deus desceu para libertar o povo que estava oprimido no Egito. Isso é no texto biblíco das origens, mas os outros exemplos, Davi e Ester, vem depois da origem, mas mostra como Deus se manifesta no meio do seu povo. Isso é para dizer a você, que Deus começou a história com seu povo descendo, se aproximando, caminhando à frente do seu povo, de modo a ficar no meio do seu povo.

Isso está na consciência do povo de Israel. Israel se reconhece como o povo cujo Deus habita no seu meio. Maria conhece esse Deus, esse Deus próximo, e ela sabe que Deus manifesta essa sua proximidade, através de uma pessoa, como foi com Moisés, Davi, Ester…esses são alguns dos muitos exemplos, para dizer que Deus usa pessoas para manifestar sua proximidade e ajudar o seu povo.

Quando Maria recebe o anjo Gabriel, e depois canta o Cântico de Maria em Lucas 2, ela se reconhece agora um instrumento nas Mãos do Deus Misericordioso, por isso ela diz: o poderoso fez em mim maravilhas … e a misericórdia é uma ação de Deus próximo. Essa misericórdia é através de instrumentos escolhidos, de pessoas escolhidas, e é aí que nós começamos a enxergar o coração de Maria, que reconhece que Deus é rico em misericórdia. Naquela época, Maria muito provavelmente não se reconhecia como Imaculada, mas precisou conhecer Jesus, ouvir Jesus, para reconhecer-se favorecida, a ponto de ter sido escolhida para conceber sem pecado. Quando ouvimos o Cântico de Maria, nós a vemos como Deus a viu.

Mãe da misericórdia

Deus olhou para a humilhação da sua serva, e ela mesma se reconhece como um “instrumentozinho” nas mãos do Poderoso. Isso mostra que Deus pode fazer grandes coisas em quem é pequenino e se reconhece pequenino nas mãos de Deus. E aí começa a história da Mãe da Misericórdia. Hoje nós a vemos e reconhecemos como Imaculada, mas ela, a princípio, é apenas um instrumento do Deus rico em misericórdia.

Essa jovenzinha, Maria, se coloca como instrumento das mãos de Deus em favor do seu povo. Maria experimenta uma nova intervenção de Deus, e superior a todas as outras, que é ser mãe, sem conhecer homem algum.

Essa proximidade de Deus a ela, veio de um modo novo, onde ela será a mãe de Jesus. O nome Jesus significa: Deus salva. Quando Maria vai apresentar o seu filho no templo, ela vai escutar de Simeão, que uma espada traspassaria sua alma, e ainda assim, ela permanece dócil, aberta, e coloca tudo em silêncio, no seu coração. Ela está disposta a sofrer todas as intervenções de Deus na sua vida. Ela vai compreendendo a sua existência ouvindo Jesus.

Jesus, pela primeira vez, fala da sua missão em Lucas 4, versículo 17. Jesus, a partir desse momento descrito na palavra, é o ungido, se auto proclama o ungido do Senhor, pois o Espírito do Senhor está sobre Ele.

Maria, fiel, discípula, vai reconhecendo quem é o seu filho, qual é a missão do seu filho, e cada vez sabe mais que essa intervenção é a favor de todos os povos, de todos os necessitados. O Senhor vem para moldar a vida de quem necessita.

Jesus pode ser reconhecido pelos discípulos, e, antes ainda, por Maria, como o rosto do Pai das Misericórdia. É olhando para Jesus, olhando para o filho, ouvindo o filho, que Maria vai também reconhecendo quem ela é.

Maria vai incentivando Jesus a ser quem Ele deve ser: O ministro da aliança para o povo de Israel! Isso nós ouvimos no capítulo 2 de João, quando Maria intercede nas bodas de Caná para Jesus realizar o seu primeiro sinal.

Maria é a representante de Israel e quando ela percebe que falta o vinho e diz a Jesus: “Eles não tem vinho”, Maria está intervindo pelo seu povo. Maria de algum modo ajuda os servos a descobrirem que as talhas podiam estar a serviço de uma nova aliança, e que Jesus realizaria uma nova manifestação de Deus, por meio de uma aliança com o seu povo.

Maria intercede e incentiva Jesus a manifestar a proximidade de Deus no meio do seu povo, e não é só naquele casamento, mas o tempo todo, para toda a humanidade.

É a necessidade do povo que move o coração de Deus, e Maria, parece que recorda ao filho de Deus que Ele se move pela necessidade do ser humano. Maria põe Jesus no caminho da Cruz. Ela aprende de Jesus e também é a mãe de Jesus. Ela manifesta a força do filho, pelo Pai, e a missão de Jesus começa alí, só terminando quando Ele entrega sua vida por nós.

No capítulo 19 de João, ele diz que Maria estava de pé, ou seja, Maria não o abandonou enquanto mãe, e ainda aos pés da cruz aprendeu quem ela era, se reconhecendo como a mãe da Misericórdia.

Aquela profecia de Simeão, se realizava naquele momento. Maria se reconhece dentro da história da salvação. Se reconhece ainda mais, não como primeiro instrumento da salvação da humanidade, que é o próprio crucificado, mas ela está ao lado dele. De pé. Com todos os filhos, não só afetivos, maternais, mas os filhos criados e queridos por Deus. Ela participa desse mistério. Jesus é o rosto descoberto da Misericórdia do Pai, ou seja Deus nos amou de tal modo, que entregou o seu filho único para nossa salvação. Para que fossemos salvos.

Ao lado deste rosto de Pai da Misericórdia, tem o rosto de Maria, assumindo o papel a que somos chamados a viver: ser tocados por um amor que nos transforma e que nos ajuda a assumir um caminho de amor, pelo bem da igreja, das pessoas que são colocadas na nossa vida, e pelo bem de toda a humanidade. Maria participa desse mistério, porque ela é a Mãe da Humanidade.

É aqui que Maria nos introduz, não como espectadores ou simples receptores da misericordia divina. Maria, como Mãe da Misericórdia nos revela, se nós a acolhemos, para que também nos reconheçamos como filhos da misericórdia.

No princípio, Maria não era capaz de ser reconhecer Imaculada, mas é um reconhecimento que nós fazemos dela, pelo seu Sim a Deus, que desce para libertar o seu povo. Ela é igual a nós, mas foi tão diferente porque sempre disse Sim.

É aí que está a misericórdia que alcançou Maria desde a sua concepção. Reconhecemos que Maria é a Imaculada, porque ela foi preparada desde a sua concepção para ser a Mãe da Misericórdia. Se ela pôde dizer SIM, foi porque Jesus, na cruz, mereceu essa graça, que seria para sua mãe. Maria recebeu uma graça antecipada, sendo escolhida por Deus no momento da sua concepção. Maria é a Imaculada por graça, por “experiência”, da misericórdia divina.

Maria foi sustentada pela misericórdia divina em um SIM de cada dia, pela sua perseverança. O seu filho é o retrato da bondade de Deus, que sempre alcançou Maria e permitiu que ela fosse fiel, dia a dia. É assim que Maria, Mãe da Misericórdia pode ser, por nós hoje, reconhecida como a Imaculada, Mãe da Misericórdia.

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