Reacender a luz da fé na família – Pregação Pe. Guilherme 10º Famílias Consagradas

“Afinal, fé é como passarinho que canta quando ainda está escuro, pois sabe que vai amanhecer.”

     Quero começar essa pregação, fazendo uma pergunta: Sua vida já teve momentos de escuridão? Se a resposta é sim, eu quero lhe dizer que Deus tem a luz para você! É com a presença de Jesus Salvador que vamos lançar raios de luz no cotidiano obscuro das nossas vidas. Já estamos nos preparando para mais um Natal. Advento é época de perceber onde, no mundo, as trevas ainda não cederam espaço para a luz. Os cristãos são desafiados a levarem luz para o mundo, assim como Cristo trouxe a luz da salvação para seus corações.

     À medida que vamos acendendo as velas da Coroa do Advento, vamos reacendendo em nossos corações a chama da fé, da esperança e do amor. No Natal, comemoramos a chegada do Cristo Salvador, e com isso, cumprem-se todas as promessas da Antiga Aliança.

       Quem não tem medo da escuridão? A escuridão assusta, mas não há trevas que possam aprisionar os que pertencem a Cristo! O ser humano tem medo da escuridão física, mas muitos não se preocupam com a escuridão espiritual, que é a pior de todas. De nada adianta debater-se com perguntas como: Por que isso está acontecendo comigo? Até quando terei de suportar tudo isso? Quando, na verdade, nossas energias deviam estar voltadas para outra pergunta: Como enfrentarei tudo isso?

         Se a escuridão ameaça a sua vida, lembre-se de que a luz divina quer brilhar. Não a impeça de agir em teu viver! Permita que Deus guie, apenas confie. Afinal, fé é como passarinho que canta quando ainda está escuro, pois sabe que vai amanhecer. Vivemos num mundo pagão, onde tudo remete ao uso desordenado de vontades egoístas. Precisamos nos libertar dessas influências negativas, tomando muito cuidado com o que deixamos entrar em nossas casas e em nossas almas através da televisão e da internet.

          O convite que Jesus faz, na liturgia de hoje, é o convite para vigiarmos e vigiar significa não perder tempo. Nessa época de rápidas mudanças sociais e culturais, a proteção dos dons de Deus não pode excluir a afirmação e a defesa do grande patrimônio humano que é a família. A igreja nos oferece, no Tempo Litúrgico do Advento, indicações precisas para que a luz de Deus, que um dia brilhou em nós pelo batismo, jamais se esconda e não apague em nós o seu fulgor, como muitas vezes cantamos num hino de renovação do sacramento de iluminação! Sim, queremos que o amor plantado em nossos corações ajude os irmãos a caminharem, guiados pelas mãos de Deus, na nova Lei do Evangelho.

         É na escola de São Paulo (Ef 5, 8-14) que encontramos os frutos da luz! Uma pergunta que devemos fazer neste momento é essa: Que luzes precisam ser acesas na minha vida? Como a decisão de reacender a luz que vem de Cristo pode mudar a minha vida, e a vida das pessoas à minha volta? A luz de Deus resplandece na bondade com que os cristãos são chamados a agir. Pequenos gestos de atenção, olhares feitos de simplicidade, inciativas para o bem da convivência familiar, compromisso com a verdade.

        Mesmo quando nos sentimos limitados ou quando efetivamente pecamos pela fraqueza que nos acompanha, ser filhos da luz significa não compactuar com as más intenções, mas nos purificarmos decididamente, comprometendo-nos com o bem. Sim, queremos que o amor ajude o nosso irmão a caminhar guiados pela luz de Deus.

      Como podemos ter a luz da fé em nossas famílias? Assumindo posturas de seriedade na fé e não perdendo a essência que recebemos na graça do nosso batismo que é a própria luz de Cristo. Para alcançar tal luz, quem se descobre filho da luz, no sentido que São Paulo, na Carta aos Efésios (5,8-14) e a Igreja entendem, busca o discernimento do que agrada ao Senhor. Um dos pontos de referência se encontra nos mandamentos, resumidos no amor a Deus e ao próximo. Outra ajuda preciosa no discernimento é a chamada “regra de ouro” (Cf. Mt 7,12) que propõe fazermos aos outros aquilo que desejamos que seja feito a nós mesmos. Vale também escutar as outras pessoas, conselheiros e conselheiras que nos ajudam a ver ângulos diferentes quando se trata de tomarmos decisões. Mais ainda, é na escuta da Palavra de Deus e na oração que se identifica cada passo a ser dado na vida familiar.

      O apelo feito pela Igreja é, sim, pela seriedade na vivência cristã. E este é o tempo oportuno, a hora da graça e da salvação. Que possamos ter nosso coração aberto para acolher Jesus e sermos iluminados por sua presença de amor. Que neste Advento nosso coração, qual manjedoura, se revista de humildade para que o Filho em nós possa nascer.

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