Ser peixe de boa qualidade. Dia dos Celibatários na semana da Transfiguração

No dia dedicados aos celibatários, Frei Josué meditou sobre: “O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo” (Mateus 13, 47).

Clique aqui e veja as FOTOS do 4º dia da Semana da Transfiguração, dedicado aos Celibatários da Comunidade MEL de Deus. Fotos: Paula Fonseca e Carla Alves.

Hoje concluímos com este evangelho, as parábolas de Nosso Senhor. Elas são reunidas pelo grande evangelista São Mateus. As parábolas estão reunidas no capítulo 13 de São Mateus, e é justamente este capítulo que estamos concluindo hoje. Este capítulo 13 é muito interessante porque a partir da expressão “Reino dos Céus ou Reino de Deus”, Jesus quer mostrar a vontade de Deus para nós. E qual seria essa vontade? Como é o céu? Como é Deus reinando sobre nós? Como é uma vida onde Deus é o rei dos reis, o Senhor dos senhores? Como é uma vida quando Deus realmente assume um lugar que lhe é devido, que é o primeiro lugar? Como é uma vida sujeita, entregue, ao senhorio de Jesus Cristo? É uma vida a partir do Reino dos Céus.

Mas essa vida cristã, ou esse reino dos céus que já começa aqui, será perfeito e pleno apenas no céu, onde não haverá outra realidade a não ser Deus reinando sobre nós. Isso vai acontecer se consumar no céu, na eternidade, depois da nossa morte, e para os que ainda se mantiverem vivos, se consumará depois da 2ª vinda de Jesus com o seu julgamento universal.

Na parábola de hoje, Jesus fala de uma rede jogada no mar que volta cheia de peixes, onde uns são bons e grandes, e outros são pequeninos que são jogados fora ou jogados de volta ao mar. Essa parábola fala da separação final dos bons e dos justos, dos maus e injustos, do mesmo modo que a parábola do joio e do trigo fala. Muitas coisas em nós só Deus conhece, mas devemos nos perguntar: sou um peixe bom? Minha vida tem sido uma benção de Deus? Eu fui escolhido por Deus, mas eu tenho me deixado se tornar esse peixe grande, ou sou esse peixezinho as vezes até bonito, mas muito pequeno?

Meus irmãos, é preciso que nós verdadeiramente nos reconciliemos com Deus e aceitemos deixar Ele nos transformar neste peixe bom, porque peixe foi feito para crescer e se tornar um alimento.

O cristão é esse peixe que alimentado pela graça de Deus, se deixa pescar e se torna alimento. Alimento aqui não significa comida, mas muitos mais que isso. Alimento significa que vou ser sustento, amparo, crescimento, força. Quantas vezes me momentos difíceis somos alimentados por apenas uma palavra? As vezes temos fome e sede e não é de comida, é de receber um alimento forte e ser saciado, e o reino dos céus é feito de pessoas corajosas que se deixam pescar pelo amor de Deus para se tornar alimento de Deus aos outros. Temos de entender de uma vez por todas que quem quer viver apenas para si termina sozinho, mas quem quer se entregar a Jesus Cristo tem que viver para amar os irmãos, para servir. Ser alimento é se entregar nas mãos Dele, e deixar que Ele te use.

Uma demonstração muito linda de alguém que viveu isso, encontramos na primeira leitura de hoje, apresentada no capítulo 40 do livro do Êxodo. Nela, vimos que depois que Deus fez a aliança com seu povo, mandou que Moisés colocasse aquele documento dentro da arca, introduziu-a sobre o santuário, pendurou nela o véu de proteção, colocou-a na tenda da reunião e Deus abençoou aquele santuário. Moisés era um homem de Deus. Toda vez que ele ia estar na presença do Senhor, a glória de Deus enxia o lugar com fumaça, como sinal da Sua presença naquele lugar. A arca que sempre ia com o seu povo, ia à frente deles, e Deus, ia fazendo uma nuvem repousar sobre ela durante o dia e a noite era como uma coluna de fogo. É bonito demais quando a presença de Deus está entre nós. Quem é a verdadeira arca de Deus, aquela que contem a sua palavra, o maná, as tábuas da verdadeira lei de Deus e que também contém o sumo e eterno sacerdote. Quem é ela? A Virgem Maria. Ela sempre vai à frente, por isso sempre rezamos: “Maria passa na frente abrindo os caminhos, portas e portões”, e sobre ela e todos nós que vamos caminhando, o Senhor manda o seu Espírito Santo.

O Espírito Santo de Deus desde o nosso batismo está dentro de cada um de nós. São João Paulo II, nos ensinou muito isso, e pediu que todos nós, batizados, fossemos como a renovação carismática, a primavera da igreja, tendo o Espírito Santo como nosso mestre e guia, e como nosso modelo de vida e espiritualidade, sendo como a nuvem que durante o dia nos dá o frescor nos momentos de dificuldade, sendo alívio, e nas noites escuras, nos momentos de silêncio, de incompreensão, de escuridão, temos que ser essa luz que aquece, que ilumina, que é uma coluna de fogo. É o Espírito Santo de Deus que nos dá essa graça.

Ser sal da terra e luz do mundo é isso: ser sombra e descanso aos outros, mas ao mesmo tempo ser calor e luz a eles. Nós devemos ser sombra e calor aos nossos irmãos, à nossa família, no nosso trabalho, nas dificuldades do dia a dia.

Seja sombra para alguém, seja essa pessoa como aquela nuvem que é alívio e frescor aos outros nos dias de cansaço, mas seja também essa luz a eles no momento de escuridão, que ilumina e aquece.

Seja cheio do Espírito Santo. Cada um tem sua maneira própria de ser sal e luz no mundo, e hoje, com São João Paulo II, entenderemos o valor das pessoas que fazem um voto de celibato, e que são luz do mundo e sal da terra aos outros, neste estado de vida.

O celibato é um voto muito bonito. Dentro do voto de castidade existe o voto do celibato. O celibato é um voto de perpétua abstinência sexual. É um voto para quem quer viver a castidade como um estado de vida, nunca mais pensando em se casar e por consequência, em ter uma vida sexual dentro de um matrimonio. O voto de celibato não é um voto para solteiro, solteirões ou pessoas frustradas que não se casaram. Isso é entendimento mundano. O celibato é uma vocação linda, é um chamado a maternidade e paternidade além do físico. Os celibatários são as pessoas que mais têm filhos, porque em Cristo eles abraçam o mundo todo. O celibatário não é esposo ou esposa de ninguém, tampouco pai biológico de pessoas, mas sim, por terem um coração dilatado como o de Cristo, eles acolhem todos.

São João Evangelista, que foi o discípulo amado, era o único celibatário dentre os discípulos, segundo a tradição da igreja. Do mesmo modo, os 4 maiores homens do novo testamento, também eram celibatários, sendo eles: Jesus Cristo, São João Batista, São Paulo e São João Evangelista.

Os celibatários são essa nuvem, essa coluna de fogo que devem ser pessoas serenas e fortes para ajudar o mundo. Eles sabem ser brisa suave, e sabem ser fogo. São pessoas que unem os extremos como São João Paulo II, foi. Eles sabem que vieram ao mundo com uma missão especial, qual seja, amar, amar e amar.

A vocação de todos é o amor, mas do celibatário, por si só, já tem esse chamado de um modo muito especial.  É o voto que mais tornam as pessoas parecidas com os anjos, porque estes vivem a castidade pelo amor do reino dos céus. No reino dos céus os homens serão como os anjos.

Casamento é algo feito apenas para a vida aqui na terra. O sonho de formar uma família é algo muito lindo, mas tem que ter vocação para isso, e nem todos têm vocação. Casamento é uma vida de sacrífico e renúncias, assim como o celibato é uma vocação de amor, de doação, e também de sacrifício. Jesus fez cada um com sua vocação específica, e você tem de ouvir de Deus com qual identidade Ele criou você. Qual o seu chamado? Isso porque só seremos felizes fazendo a vontade de Deus!

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