Mateus 8, 28-34

Se o demônio faz coisas ardilosas até mesmo com o próprio Jesus, a quem nada pode enganar, imagine conosco. Coitados de nós!

Uma das orientações mais sábias da vida espiritual, repetida por homens de profunda santidade como Frei Josué, é: não dialogueis com o inimigo. Não importa há quanto tempo caminhamos com Deus ou o quanto nos sentimos fortalecidos na fé. O demônio é astuto. Se foi capaz de seduzir Adão e Eva, que conviviam diariamente com Deus em perfeita comunhão, quanto mais nós, marcados pelas consequências do pecado e conhecedores de nossas próprias fragilidades.

Adão e Eva conheciam o Senhor, experimentavam Sua presença e viviam em plena intimidade com Ele. Ainda assim, quando deram ouvidos à voz da serpente, abriram espaço para a mentira. O pecado começou justamente no diálogo. O inimigo sempre procura plantar dúvidas, relativizar a verdade e apresentar o mal com aparência de bem.

No Evangelho de hoje, o demônio também tenta agir. Diante de Jesus, pede para entrar na manada de porcos. Jesus simplesmente diz: “Ide.” Assim, manifesta Sua autoridade absoluta sobre os espíritos malignos. Entretanto, ao precipitar os porcos no mar, o demônio revela sua verdadeira intenção: destruir. Mesmo obedecendo à ordem de Cristo, procura transformar aquele acontecimento em motivo de escândalo, levando os habitantes da região a olharem para a perda material e não para a libertação daqueles homens.

É essa a astúcia do inimigo: usar até a obra de Deus para tentar atacar a própria obra de Deus, distorcendo os fatos e desviando os corações da ação do Senhor.

Essa estratégia continua acontecendo em nossa vida. Muitas vezes, o inimigo não consegue nos vencer por uma tentação evidente. Então, procura pequenas brechas: uma vaidade, um ressentimento, uma crítica, um julgamento, um desânimo ou até mesmo uma boa obra realizada sem humildade. Ele tenta transformar aquilo que deveria glorificar a Deus em ocasião de divisão, escândalo ou afastamento do Senhor. Quando não pode atingir diretamente Cristo, tenta atingir Cristo que vive em nós.

Por isso, a grande lição é não dialogar com a tentação e jamais confiar excessivamente em nossas próprias forças. Precisamos vigiar e orar continuamente, reconhecendo-nos pequenos e totalmente dependentes da graça de Deus. Quem acredita que já é forte o suficiente corre o risco de baixar a guarda. Mas quem permanece humilde sabe que toda vitória vem do Senhor.

Que hoje peçamos a graça de um coração vigilante e humilde. Que, diante das tentações, não conversemos com elas, mas recorramos imediatamente à Palavra de Deus, à oração e aos sacramentos. É permanecendo unidos a Cristo que vencemos as armadilhas daquele cuja única intenção sempre foi, e sempre será, destruir.

Autor: Fabrício Martins Brito
Membro de aliança da comunidade Mel de Deus

COMUNIDADE
MEL DE DEUS

VOCACIONAL

NOSSA HISTÓRIA

AGENDA

CONTATO

GALERIA DE FOTOS

VÍDEOS