Lucas 9,1-6
Jesus reúne os Doze, dá-lhes poder e autoridade para expulsar os demônios e curar as doenças e os envia a anunciar o Reino de Deus. É impressionante perceber que o Senhor confia uma missão tão grande a homens frágeis, ainda em caminho de conversão. A graça que eles levariam aos outros não vinha deles mesmos, mas de Jesus. O Senhor os escolhe, capacita e envia para que, por meio deles, muitas pessoas possam experimentar a força do Reino de Deus.
Isso também fala diretamente à nossa vida. Deus pode alcançar outras pessoas por meio de nós, através de uma palavra, uma visita, um gesto de cuidado, uma atitude de perdão ou uma oração. No entanto, antes de querer alcançar os outros por nosso intermédio, Deus deseja alcançar o nosso próprio coração. Foi assim que transformou Levi em Mateus, Saulo em Paulo e Pedro em uma testemunha corajosa da Ressurreição. O discípulo anuncia aquilo que, antes de tudo, permite que Jesus realize dentro de si.
O Evangelho nos convida, portanto, a caminhar e a proclamar. Às vezes, nosso povoado é a própria casa; outras vezes, é o trabalho, o hospital, a comunidade ou o encontro com alguém que sofre. Em cada lugar, somos chamados a levar Jesus no coração e a testemunhar o Seu amor. Sem uma verdadeira intimidade com o Senhor, porém, corremos o risco de falar muito de Deus e escutá-Lo pouco, anunciando uma mensagem que ainda não permitimos que transforme profundamente a nossa própria vida.
É na oração que essa caminhada se torna verdadeiramente íntima. Quando rezamos, abrimos o coração à presença de Deus e permitimos que Ele ilumine nossos pensamentos, revele aquilo que precisa mudar e nos dê força para vencer o pecado. A oração nos mantém unidos ao Seu amor e nos ajuda a reconhecer que não somos nós os responsáveis pela obra de Deus. Assim, a graça que acolhemos no coração começa a transbordar em atitudes concretas de paciência, perdão, serviço, misericórdia e coragem para anunciar Jesus.
São Padre Pio descobriu desde cedo a beleza dessa amizade com Deus. Ainda menino, Francesco Forgione cultivava a fé no ambiente de sua família. Levantava-se cedo para participar da Santa Missa com sua mãe e rezava diante do Menino Jesus. Aquela criança cresceu, tornou-se sacerdote e fez da oração o centro de sua existência. Sua união com Deus não permaneceu apenas no âmbito pessoal, mas se expressou também no cuidado com tantas pessoas que procuravam nele a confissão, a direção espiritual, a oração e o consolo.
Padre Pio dizia que a oração é “a melhor arma que possuímos, uma chave que abre o coração de Deus”. Ele compreendia que aquele que se coloca diante do Senhor nem sempre sai da oração com os problemas imediatamente resolvidos. Entretanto, pode sair com o coração renovado, fortalecido e preparado para enfrentar as dificuldades com mais fé, esperança e amor. A oração não nos afasta da realidade; ao contrário, prepara-nos para viver a realidade com Deus.
Hoje, na memória de São Padre Pio, encontramos um testemunho concreto dessa união profunda com o Senhor. Sua fecundidade espiritual nasceu de uma vida profundamente enraizada na oração. Quanto mais se aproximava de Deus, mais se tornava disponível para acolher, servir, aconselhar, sofrer com os que sofriam e conduzir tantas pessoas ao encontro com Jesus. Sua missão não nasceu simplesmente de palavras, mas de uma vida alimentada pela intimidade com Deus.
Também nós somos enviados. O Senhor continua chamando discípulos para anunciar o Seu Reino nos lugares onde estamos. Porém, essa missão precisa começar dentro de nós. Antes de levarmos Jesus aos outros, precisamos permitir que Ele transforme nosso coração; antes de falarmos sobre oração, precisamos aprender a permanecer diante d’Ele; antes de anunciarmos a misericórdia, precisamos deixar que a misericórdia de Deus alcance nossas próprias feridas.
Que São Padre Pio, nosso amigo no Céu, interceda por nós. Que sua vida nos ensine a buscar cada vez mais a intimidade com Jesus e a fazer da oração uma verdadeira fonte para a nossa caminhada. Que o Senhor transforme em nós aquilo que precisa ser transformado, fortaleça nossa fé e nos dê coragem para ir ao encontro dos outros. Assim, o amor que recebemos de Deus poderá transbordar em nossa vida e alcançar aqueles que Ele colocar em nosso caminho.
Autor: Fabrício Martins Brito
Membro de aliança da comunidade Mel de Deus