Lucas 11,47-54
No Evangelho, Jesus dirige uma advertência aos mestres da Lei: receberam a chave do conhecimento, mas não entraram e ainda impediram aqueles que desejavam entrar. Essa Palavra também interpela nosso coração. Nós, que escutamos a Palavra de Deus, participamos da Igreja e experimentamos o Seu amor, precisamos nos perguntar: o que temos feito com o conhecimento que recebemos? Nossa vida ajuda as pessoas a encontrar Jesus?
Conhecer a Deus é uma graça que traz consigo uma responsabilidade. Cada ensinamento recebido, cada experiência de oração e cada encontro com Sua misericórdia nos convidam à conversão e ao serviço. Recebemos para partilhar. Somos alcançados pelo amor para que esse mesmo amor também alcance nossos irmãos.
Entretanto, podemos conhecer as palavras de Jesus e resistir à transformação que elas exigem. Podemos falar de perdão enquanto alimentamos ressentimentos; ensinar sobre humildade enquanto desejamos reconhecimento; e anunciar a misericórdia enquanto tratamos com dureza quem está começando a caminhar na fé.
É assim que corremos o risco de nos tornar pedras de tropeço. Quando nossas atitudes desmentem aquilo que anunciamos, podemos dificultar o encontro de alguém com Deus. Uma palavra de desprezo, um julgamento precipitado ou a falta de acolhimento podem ferir justamente aquele que procurava ajuda para se aproximar do Senhor.
A chave que recebemos não nos torna donos da porta. Pelo contrário, torna-nos responsáveis por ajudar os outros a encontrar o caminho. E esse caminho é Jesus.
Por isso, o “ai de vós” precisa ser acolhido com seriedade e esperança. É uma advertência que denuncia nosso pecado e nos chama à mudança enquanto há tempo. Hoje, o Senhor nos convida a examinar a própria vida antes de apontar as falhas dos outros.
Em casa, como tenho tratado aqueles que convivem comigo? Na comunidade, acolho quem ainda sabe pouco ou exijo que já esteja pronto? No trabalho, minhas atitudes revelam a fé que professo? Quando alguém cai, ofereço a mão ou aumento o peso que essa pessoa carrega?
Não precisamos esperar uma vida sem fragilidades para testemunhar Cristo. Precisamos, antes, permitir que Ele trabalhe em nossas fragilidades. Quem reconhece seus erros, pede perdão e recomeça também anuncia a força da graça. Afinal, a humildade abre espaço para que as pessoas reconheçam a ação de Deus em nós.
Santa Teresa de Jesus, cuja memória celebramos hoje, ensina-nos, por meio de sua vida de oração, a cultivar uma amizade profunda com o Senhor. Dessa intimidade nasce um conhecimento que transforma nossa maneira de viver e amar. Quanto mais nos aproximamos de Cristo, mais aprendemos a cuidar daqueles que Ele coloca em nosso caminho.
Hoje, peçamos a graça de acolher essa Palavra com um coração disponível. Que nosso conhecimento se transforme em serviço, nossa oração produza caridade e nossa presença ofereça acolhimento. Assim, em vez de dificultarmos o caminho, ajudaremos nossos irmãos a se aproximarem de Jesus e a experimentarem a alegria de Seu amor.
Autor: Fabrício Martins Brito
Membro de aliança da comunidade Mel de Deus