Lucas 13,31-35

No Evangelho de Lucas 13,31-35, alguns fariseus se aproximam de Jesus e dizem que Ele deve ir embora, porque Herodes quer matá-Lo.

Parece uma atitude de cuidado. O texto não revela a intenção de cada um daqueles homens, mas nos permite refletir: nem toda palavra que parece proteção nos ajuda a cumprir a vontade de Deus. Às vezes, até pessoas próximas, por medo ou por não compreenderem nossa missão, nos aconselham a abandonar aquilo em que deveríamos perseverar.

Jesus, porém, sabe a quem pertence e para onde está caminhando. Envia uma resposta firme a Herodes, a quem chama de raposa, e anuncia que continuará libertando e curando até levar Sua obra ao cumprimento. É como se dissesse: “A ameaça não vai determinar os Meus passos. Minha vida está entregue ao Pai”. Jesus não procura o sofrimento, mas também não abandona o amor para escapar dele.

Quantas vezes nós fazemos o contrário! Começamos algo bom, mas basta uma crítica para pensarmos em desistir. Basta não receber reconhecimento para perdermos o entusiasmo. Basta uma dificuldade em casa, no trabalho ou na comunidade para perguntarmos: “Será que vale a pena continuar?”

O Evangelho nos convida a fazer outra pergunta: “Senhor, o que Tu me pedes neste momento?”

Quando tudo depende de aplausos, a crítica nos paralisa. Quando tudo depende de prazer, a dificuldade nos faz recuar. Mas, quando encontramos um sentido e reconhecemos uma missão, recebemos uma razão para perseverar, mesmo nos dias em que a alegria não aparece.

Isso não significa que deixaremos de sentir medo, tristeza ou cansaço. Precisamos de descanso, de ajuda e de discernimento. A fidelidade não exige que sejamos de ferro. Exige que, em nossa fragilidade, continuemos nos apoiando em Deus.

Talvez hoje sua missão seja cuidar de alguém que já não consegue agradecer, educar um filho que ainda não compreende seus limites, trabalhar com honestidade quando seria mais fácil seguir atalhos ou pedir perdão quando o orgulho insiste em ter a última palavra. Há dias em que a santidade acontece assim: no bem que fazemos sem plateia, sustentados pela graça.

Então, o Evangelho nos mostra algo profundamente comovente. Aquele Jesus tão firme diante de Herodes revela Sua ternura ao olhar para Jerusalém. Ele compara Seu desejo de reunir aquele povo ao cuidado de uma ave que abriga os filhotes debaixo das asas. Mas lamenta a resistência daqueles que não quiseram ser acolhidos.

O coração que não se rende à ameaça é o mesmo que se abre para acolher quem O rejeita. Jesus não olha para Jerusalém com prazer de condenar. Ele sofre porque ama. Deseja reunir, proteger e salvar. E esse amor também nos alcança.

Quantas vezes pedimos que Deus cuide de nós, mas resistimos quando esse cuidado exige conversão! Queremos paz, mas alimentamos ressentimentos. Queremos proximidade com Jesus, mas adiamos a oração. Queremos recomeçar, mas fugimos da Confissão, onde Sua misericórdia nos espera. Ainda assim, Ele continua nos chamando.

Talvez hoje você esteja cansado, envergonhado pelas próprias quedas ou sentindo que se afastou demais. Escute este convite: volte para perto. Você pode abrir o coração, buscar o sacramento da Reconciliação e retomar sua caminhada. O amor de Deus não torna a nossa resposta desnecessária; torna essa resposta possível.

Senhor Jesus, fortalece-nos nas dificuldades e ensina-nos a discernir Tua vontade. Que o medo não nos afaste da missão que nos confiaste, nem o orgulho nos impeça de acolher Tua misericórdia. Abriga-nos sob Tuas asas e dá-nos a graça de perseverar no amor. Amém.

Autor: Fabrício Martins Brito

Membro de aliança da comunidade Mel de Deus

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