Marcos 12,18-27

Hoje me vi nos saduceus, que se aproximaram de Jesus com uma pergunta aparentemente inteligente, mas que, na verdade, escondia um coração fechado para a fé. Eles não buscavam a verdade. Eles buscavam uma justificativa para permanecer na incredulidade. Criaram uma situação complicada, cheia de detalhes, para tentar provar que a ressurreição não existia.

Mas quantas vezes nós também fazemos o mesmo? Muitas vezes não negamos Deus com palavras, mas criamos argumentos dentro de nós para justificar a nossa resistência em obedecê-Lo. Construímos explicações para não mudar de vida, para não abandonar um pecado, para não perdoar, para não rezar, para não confiar.

Dizemos muitas vezes: “Quando minha vida melhorar, eu volto para Deus.” Ou ainda: “Quando eu entender tudo, eu vou acreditar.” “Quando Deus resolver meus problemas, eu vou servi-Lo.” E assim vamos criando histórias, hipóteses e justificativas que alimentam nossa humanidade e enfraquecem nossa fé.

A raiz disso é a mesma dos saduceus: uma fé pequena, uma fé que ainda não consegue confiar plenamente naquilo que Deus prometeu.
Jesus então responde revelando algo extraordinário: o céu não é uma continuação desta vida. O céu é uma realidade muito maior. Nós passamos boa parte da vida correndo atrás de coisas que passam. Procuramos felicidade nas riquezas, nos prazeres, no reconhecimento, nos bens materiais, nas conquistas humanas. Mas tudo isso é temporário. Tudo isso fica aqui.No céu não haverá necessidade de casamento, de posses, de títulos ou de qualquer outra realidade terrena. Não porque essas coisas sejam ruins, mas porque teremos algo infinitamente maior: a presença plena de Deus.

O coração humano vive procurando felicidade. O problema é que frequentemente a procura nos lugares errados. Por isso, tantas pessoas conquistam aquilo com que sonharam e continuam vazias. Conseguem dinheiro, conforto, reconhecimento, mas percebem que ainda falta algo. E falta mesmo. Porque fomos criados para Deus, e só Ele tem o que pode nos preencher por completo.

Jesus hoje nos lembra que Deus é o Deus dos vivos. Não dos mortos. Não das ilusões. Não das aparências. Não dos enganos deste mundo.
O céu não é uma ideia bonita. O céu é uma promessa. É a plenitude da vida. É a realização de tudo aquilo que nosso coração busca sem sequer compreender completamente.
Talvez nunca tenhamos experimentado aqui na terra a alegria perfeita. Talvez nunca tenhamos conhecido uma felicidade sem sofrimento, sem medo ou sem perdas. Mas Deus nos promete exatamente isso: uma vida abundante em Sua presença.

Por isso, hoje, Jesus me convida a abandonar as justificativas e a fortalecer a fé. Menos perguntas para fugir de Deus. Menos argumentos para permanecer como estamos. Menos apego às coisas que passam. E mais confiança.
Porque Aquele que nos prometeu a vida eterna não é o Deus das ilusões. É o Deus dos vivos. O Deus que prepara para Seus filhos uma alegria tão grande que nenhuma realidade desta terra é capaz de comparar.

Autor: Fabrício Martins Brito
Membro de aliança da comunidade Mel de Deus

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