Mateus 9, 1-8

Uma das coisas que precisamos compreender é que existem males do corpo, males da mente e males da alma. Essas três dimensões estão profundamente ligadas. No entanto, somente Deus conhece a verdadeira raiz de cada sofrimento.

A raiz mais profunda de todos os males é o pecado, que rompe a comunhão com Deus e pode repercutir em toda a pessoa, atingindo sua vida espiritual, emocional e até física. Por isso, somos chamados a uma vigilância constante: vigilância sobre a nossa vida espiritual, sobre a fidelidade aos mandamentos e, sobretudo, sobre o nosso amor a Deus. Afinal, quanto mais nos afastamos do Senhor, mais nos tornamos vulneráveis às consequências do pecado.

No Evangelho de hoje, Jesus nos ensina algo extraordinário. Antes de realizar o milagre da cura do paralítico, Ele diz: “Filho, os teus pecados estão perdoados.”

Jesus olha primeiro para aquilo que ninguém consegue enxergar. Ele não vê apenas a enfermidade física, mas contempla a pessoa por inteiro. Conhece a intimidade do coração, as fraquezas, as feridas, os dons e a história de cada um. Uma história que não começa apenas no nascimento, mas que carrega marcas, escolhas e influências que moldaram a vida.

Somente Cristo pode olhar para o ser humano de forma completa. Por isso, antes de curar o corpo, Ele cura a alma.

Isso não significa que toda doença seja consequência direta de um pecado pessoal. A própria Sagrada Escritura mostra que nem todo sofrimento físico nasce de uma culpa individual. Entretanto, o pecado continua sendo o maior mal da humanidade, porque nos separa de Deus, fonte de toda vida.

É por isso que Jesus começa oferecendo aquilo que é mais precioso: o perdão.

Essa também é a razão da importância do sacramento da confissão. Muitas vezes, pedimos curas, libertações, milagres e graças, mas nos esquecemos de buscar, antes de tudo, a reconciliação com Deus.

Desejamos que o Senhor transforme as circunstâncias da nossa vida, enquanto Ele deseja transformar, primeiro, o nosso coração. Enquanto permanecemos presos ao pecado, guiados pelas nossas próprias vontades, pelos maus desejos e pela resistência à graça, continuamos carregando um peso que nenhuma cura exterior é capaz de remover.

O perdão de Deus restaura a alma, devolve a paz ao coração e abre espaço para que a graça transforme também todas as outras dimensões da nossa vida.

Hoje, Jesus continua olhando para cada um de nós e dizendo: “Filho, os teus pecados estão perdoados.” Essa é a maior graça que podemos receber. Antes da saúde, antes da prosperidade e antes da solução dos nossos problemas, existe um dom infinitamente maior: sermos reconciliados com Deus.

Quando a alma é restaurada pela misericórdia divina, todo o restante encontra o seu verdadeiro lugar. A libertação do pecado é o início da verdadeira cura, porque nos conduz novamente Àquele que é a fonte de toda vida, de toda paz e de toda salvação.

Autor: Fabrício Martins Brito
Membro de aliança da comunidade Mel de Deus

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