Mateus 7, 21-29

Eu me lembro da primeira vez que cheguei à Comunidade Mel de Deus. Eu era apenas mais um entre tantos que passavam por aquela porta. Ninguém me conhecia como uma pessoa de Deus, apenas como médico. Eu não pregava, não ministrava, não participava de retiros como servo, não tinha nenhuma função, tampouco conhecia verdadeiramente as coisas de Deus. Se alguém perguntasse quem eu era, provavelmente ninguém saberia responder além de que eu era um médico conhecido da cidade.

Os anos passaram. Deus foi me concedendo a graça de servir. Preguei retiros, participei de grupos de oração, ministrei momentos de cura e libertação, servi na Novena de Nossa Senhora do Rosário de Pompeia, testemunhei milagres e tantas obras da graça de Deus acontecendo diante dos meus olhos.

Hoje, se eu chegar à comunidade, muitas pessoas me conhecem pelo nome. Os irmãos sabem quem eu sou. Os membros mais antigos me reconhecem. Os servos me reconhecem. Sou identificado como alguém que faz parte desta história.

Mas o Senhor hoje me faz uma pergunta muito séria: será que ser reconhecido pelos membros da comunidade é o que me faz verdadeiramente membro dela? Será que ser conhecido pelos homens é a mesma coisa que ser conhecido por Deus?

Eu fico imaginando chegar um dia à porta do Céu e ouvir uma pergunta semelhante: “Quem é você?”. Talvez eu respondesse: “Eu sou da Comunidade Mel de Deus. Preguei retiros. Evangelizei. Rezei terços. Participei de novenas. Testemunhei milagres. Servi durante muitos anos.”Mas, naquele momento, nada disso seria suficiente. Porque Jesus não perguntará apenas o que eu fiz. Ele olhará para aquilo que me tornei.

O Evangelho nos alerta sobre isso quando diz: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizamos? Não foi em teu nome que expulsamos demônios? Não foi em teu nome que fizemos muitos milagres?”. E o Senhor responderá a alguns: “Nunca vos conheci”.

Que palavra assustadora. Pessoas que fizeram coisas extraordinárias em nome de Deus, mas que nunca permitiram que Deus transformasse verdadeiramente o seu coração.

Existe um risco muito grande na caminhada espiritual: usar as coisas de Deus para a própria promoção. Utilizar o serviço, os dons, os ministérios e até mesmo a evangelização para alimentar a vaidade, o orgulho e a autoimagem.

Por isso, percebo que existem duas batalhas fundamentais para quem deseja ser reconhecido por Deus.A primeira é a luta contra as próprias paixões. Não basta rezar muito se não luto contra o orgulho. Não basta participar de todas as atividades da comunidade se continuo alimentando a vaidade, a soberba, os ressentimentos e os pecados que habitam dentro de mim. A santidade começa quando travamos diariamente essa batalha interior.

A segunda é buscar fazer o coração de Deus feliz pela obediência. Jesus disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos”. O amor verdadeiro não está apenas nas palavras, mas na decisão diária de viver a vontade de Deus.

No fim da vida, não serão os títulos, os ministérios ou o reconhecimento das pessoas que dirão quem somos. O que definirá nossa identidade será o quanto permitimos que Deus transformasse nosso coração.

Ser reconhecido hoje como membro da Comunidade Mel de Deus é uma grande alegria. Mas o que verdadeiramente me faz membro desta família espiritual não é o que os irmãos pensam de mim. É o amor a Deus. É a luta diária contra minhas paixões. É o esforço sincero de fazer a vontade do Pai.

Porque mais importante do que ser conhecido por todos na comunidade é ouvir um dia de Jesus estas palavras:“Eu te conheço. Tu és meu filho. Eu vi as batalhas que enfrentaste diariamente por amor a Mim. Entra na alegria do teu Senhor.”

Autor: Fabrício Martins Brito
Membro de aliança da comunidade Mel de Deus

COMUNIDADE
MEL DE DEUS

VOCACIONAL

NOSSA HISTÓRIA

AGENDA

CONTATO

GALERIA DE FOTOS

VÍDEOS