Mateus 9, 14-17
Há uma pergunta que ecoa no Evangelho de hoje: “Podem os convidados do casamento jejuar enquanto o noivo está com eles?”
A resposta de Jesus parece simples, mas revela uma verdade profunda: quem está verdadeiramente com Cristo não vive na tristeza, mas na alegria da sua presença.
O problema é que muitos de nós dizemos que estamos com Jesus, mas o nosso coração está longe d’Ele. Estamos na Igreja, mas alimentamos o pecado. Rezamos, mas não abandonamos a tibieza. Conhecemos a Palavra, mas preferimos seguir a nossa própria vontade.
Quando nos afastamos de Cristo, a primeira coisa que perdemos é a força espiritual. O pecado sempre promete liberdade, mas entrega escravidão. Promete prazer, mas produz vazio. Promete felicidade, mas semeia tristeza.
Quem se afasta de Deus torna-se vulnerável. O inimigo não precisa derrotar quem já está distante do Senhor; basta mantê-lo distraído, acomodado e morno.
A tibieza é um dos maiores perigos da vida espiritual. Ela não faz a pessoa abandonar completamente Deus; faz algo ainda mais sutil: leva-a a viver como se Deus não fosse mais essencial. A oração torna-se obrigação, a Missa torna-se rotina, a confissão é adiada, e o coração vai perdendo a sensibilidade à graça.
Por isso, o jejum continua sendo necessário. Não apenas o jejum de alimento, mas o jejum de tudo aquilo que ocupa o lugar de Deus. Jejuar do orgulho, da autossuficiência, das palavras que ferem, das distrações que roubam o tempo da oração e dos pecados que nos afastam do abraço do Pai.
O verdadeiro jejum não serve para convencer Deus a agir. Serve para retirar tudo aquilo que impede Deus de agir em nós.
Quando o Noivo ocupa novamente o centro da nossa vida, a tristeza dá lugar à esperança, o medo cede espaço à confiança e a fraqueza é transformada em fortaleza. Onde Cristo está, o pecado perde a força. Onde Cristo reina, o demônio perde espaço. Onde Cristo é amado, a alma volta a respirar.
Hoje, a pergunta não é se Jesus está conosco. Ele permanece fiel. A verdadeira pergunta é: nós ainda estamos com Ele? Ou o pecado e a tibieza já nos fizeram caminhar para longe do Noivo?
Voltemos enquanto ainda é tempo. Porque longe de Jesus há apenas cansaço. Mas perto d’Ele existem vida, liberdade e salvação.
Autor: Fabrício Martins Brito
Membro de aliança da comunidade Mel de Deus