Mateus 18,21-19,1

“É assim que o meu Pai, que está nos céus, fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão.” (Mt 18,35)

No Evangelho de hoje, vemos a bondade humana sendo colocada à prova diante da perfeição de Jesus. Pedro acredita estar propondo algo grandioso ao perguntar se deve perdoar até sete vezes. Sete é o número que, nas Sagradas Escrituras, representa a plenitude. Humanamente, Pedro parece ter chegado ao limite da generosidade.

Entretanto, por mais que a bondade humana se aproxime da perfeição, ela jamais será verdadeiramente perfeita enquanto estiver limitada aos nossos próprios critérios. A perfeição somente é encontrada quando deixamos de buscar apenas ser pessoas boas e passamos a desejar verdadeiramente a santidade.

Por isso, Jesus responde: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.” O Senhor nos ensina que não devemos estabelecer limites para o perdão e a misericórdia que somos chamados a manifestar aos nossos irmãos.

Ao olharmos sinceramente para nossa própria vida, precisamos nos perguntar: se estivéssemos no lugar de Deus, teríamos perdoado as nossas próprias ofensas da mesma maneira como Ele nos perdoou? Se fôssemos atingidos por todos os pecados que cometemos contra o Senhor, seríamos capazes de agir conosco com a mesma misericórdia?

Certamente, a misericórdia de Deus para conosco foi infinitamente maior do que aquela que, muitas vezes, oferecemos aos nossos irmãos. O Senhor nos perdoa muito mais do que somos capazes de compreender e nos convida a permitir que esse mesmo amor transforme a maneira como tratamos aqueles que nos feriram.

O convite de hoje é para que não olhemos apenas para o pecado cometido, mas para a vida que está diante de nós. Existe um irmão por trás daquela ofensa. Existe uma pessoa que pode ser completamente transformada quando alcançada pela misericórdia. E, muitas vezes, Deus deseja manifestar essa misericórdia por meio do nosso perdão.

Perdoar não significa dizer que o mal foi correto, esquecer prudentemente os limites necessários ou permanecer em situações de violência e injustiça. Perdoar significa entregar a Deus o direito de vingança, libertar o coração do ódio e continuar desejando a salvação daquele que nos feriu.

Hoje, o Senhor nos chama a ser instrumentos de salvação por meio da graça do perdão e da misericórdia. Não podemos colocar como medida apenas a nossa humanidade, porque a graça que recebemos é muito maior. O Senhor não estabeleceu limites para derramar sobre nós o seu amor, a sua bondade e a sua misericórdia.

Jesus também nos adverte: “Com a medida com que medirdes, sereis medidos.” Podemos escolher qual régua carregaremos ao longo da vida: a régua do julgamento ou a régua da misericórdia. E talvez seja justamente essa mesma medida que desejaremos encontrar nas mãos de Deus quando estivermos diante d’Ele.

Por isso, escolhamos hoje a misericórdia. Perdoemos não apenas com palavras, mas de coração. Quem reconhece o tamanho da dívida que lhe foi perdoada encontra forças para também perdoar. Afinal, o amor que recebemos de Deus sempre será infinitamente maior do que qualquer amor que possamos oferecer.

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