Mateus  24,42-51

“Ficai atentos, porque não sabeis em que dia o Senhor virá.”

A Palavra de Jesus hoje é forte, mas não é uma palavra para colocar medo em nosso coração. É uma palavra de amor e cuidado. Jesus nos diz: “Vigiai!”. Porque Ele sabe que somos frágeis, sabe que podemos nos distrair no caminho e sabe que, pouco a pouco, podemos nos afastar sem sequer perceber.

Nós não sabemos em que ponto da nossa caminhada estamos. Talvez estejamos no começo, talvez no meio, talvez muito mais próximos do nosso encontro definitivo com Deus do que imaginamos. Por isso, a vida cristã não pode ser vivida apenas de grandes momentos. É preciso vigiar nas pequenas coisas.

Vigiar aquilo que pensamos. Vigiar aquilo que falamos. Vigiar nossas escolhas, nossas reações, nossos desejos. Vigiar aquilo que estamos permitindo entrar no nosso coração. Porque, muitas vezes, as grandes quedas começam com pequenas concessões.

Mas existe algo que precisamos reconhecer: nossa vigilância é frágil. Quando confiamos somente em nossas próprias forças, cedo ou tarde caímos. Por isso, Jesus não disse apenas “vigiai”. Em outro momento, Ele completa: “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação.”

A oração é aquilo que sustenta a vigilância. Quem reza reconhece: “Senhor, eu preciso de Ti.” Quem reza deixa de confiar somente na própria força e começa a depender da graça. É o Espírito Santo quem nos fortalece para perceber aquilo que, sozinhos, muitas vezes não conseguimos enxergar.

Por isso, precisamos ter cuidado quando pensamos: “Eu sou forte. Isso nunca acontecerá comigo. Eu não caio.” São Paulo nos adverte: “Quem julga estar de pé tome cuidado para não cair.” O inimigo conhece nossas fragilidades e procura justamente os lugares onde baixamos a guarda.

Sua intenção é nos afastar de Deus e nos fazer perder aquilo que existe de mais precioso: a comunhão com o Senhor e a esperança da vida eterna.

Mas existe uma palavra especialmente para aquele que hoje está cansado. Talvez alguém diga: “Eu já caí demais. Afastei-me demais. Não consigo mais voltar.” É justamente aí que o Evangelho se transforma em esperança. Enquanto há vida, existe caminho de volta.

Deus não está esperando você chegar perfeito. Ele está esperando que você volte. A conversão é uma tarefa contínua para toda a Igreja, que reúne pecadores alcançados pela santidade de Cristo e continuamente chamados à purificação e à renovação.

Talvez hoje eu não tenha forças para dar grandes passos. Então, dou um pequeno passo em direção a Deus. Voltemos para a oração, para a Palavra, para a Confissão, para a Eucaristia, para os braços do Pai.

E, quando perceber que não consegue vigiar sozinho, diga simplesmente: “Espírito Santo, vigia comigo. Guarda o meu coração. Mostra-me aquilo que está me afastando de Jesus. Dá-me forças para permanecer de pé.”

A vigilância cristã não é viver assustado esperando a morte. É viver preparado para o encontro. É acordar todos os dias desejando que, se hoje fosse o dia de encontrar Jesus, Ele encontrasse o nosso coração voltado para Ele.

E, se cairmos, levantemos. Se estivermos cansados, rezemos. Se estivermos longe, voltemos. Porque, quando vigilância, oração e esperança caminham juntas, o nosso destino será sempre o mesmo: o coração de Deus.

Vigiai e orai. E nunca tenhais medo de recomeçar. O Pai continua de braços abertos.

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