Lucas 4,31-37

No Evangelho de hoje, um homem possuído por um espírito impuro grita: “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus.” Até os demônios reconhecem quem é Jesus e tremem diante de sua autoridade. Onde Cristo chega com a sua luz, as trevas não conseguem permanecer.

O mal pode até tentar resistir, gritar e amedrontar, mas não pode vencer a presença soberana do Senhor. Por isso, o Evangelho de hoje nos faz um convite muito simples: aproxime-se de Jesus! Não importa como você esteja. Não importa em que ponto da caminhada você se encontra. Não importa quantas vezes tenha caído, nem o quanto se sinta ferido ou sujo pelo pecado. O mais importante é não fugir de Jesus. Aproxime-se dele exatamente como você está.

Quando aquele homem se aproxima, Jesus não negocia com o mal, não se deixa seduzir por suas palavras e não estabelece nenhum diálogo com as trevas. Ele simplesmente ordena: “Cala-te e sai dele!” Quando Jesus entra verdadeiramente em nossa vida, também começa a silenciar as vozes que nos escravizam: a voz da mentira, da culpa, da impureza, da vaidade, do orgulho, da ambição e do desespero. O Senhor faz calar aquilo que nos afasta de Deus, destrói nossa família e fere nossa dignidade.

O demônio lançou aquele homem ao chão, mas saiu dele sem lhe causar mal algum. Isso nos ensina algo muito profundo: o processo de libertação pode nos abalar, pode nos fazer cair de joelhos e confrontar verdades dolorosas,
mas Jesus não permite que o mal tenha a palavra final. O homem caiu, mas foi devolvido à vida. Perdeu suas correntes e recuperou sua dignidade. Assim aconteceu também em minha vida. Quando me aproximei de Deus, eu trazia uma história destruída, marcada por impurezas e por tantas coisas terríveis.

Mas Jesus foi, aos poucos, retirando de mim o adultério, a mentira, a vaidade, o orgulho, a ambição e tantos outros pecados. Nenhuma pessoa precisou me obrigar. Nem Frei Josué, nem qualquer outra pessoa precisou me dizer que eu deveria abandonar o cigarro, o adultério, a bebida ou a ganância. Foi o próprio Jesus que, com sua luz, começou a iluminar minhas trevas. E, quando a luz de Cristo entra,
começamos a enxergar aquilo que antes o pecado nos impedia de perceber. Jesus não apenas mostrou o que precisava ser abandonado.

Ele colocou em meu coração algo muito maior: o desejo de permanecer perto dele. E quando nasceu esse desejo, todas as outras transformações vieram por acréscimo. É assim que Jesus age. Primeiro, ele nos atrai para perto de seu coração. Depois, sua graça vai reorganizando nossa vida. A graça de Cristo cura-nos do pecado e santifica-nos, tornando-nos participantes da própria vida de Deus. Isso acontece naturalmente. Talvez ainda cada um carregue vícios, pecados, feridas ou situações que parecem impossíveis de vencer. Não esperemos ficar limpo para procurar Jesus.

É aproximando-se dele que seremos purificados. Não esperemos tornarmos dignos para permanecer diante dele. É a presença de Jesus que restaura a nossa dignidade. Nossa tarefa é permanecer perto do Senhor: pela oração, pela Palavra, pela Eucaristia, pela Confissão e pela vida comunitária. A obra é dele. A libertação é dele.

A transformação é dele. Que hoje possamos dizer: “Senhor Jesus, não quero mais fugir da tua presença. Aproximo-me de ti como estou. Faz calar em mim toda voz que não vem de ti. Expulsa as trevas, cura minhas feridas e restitui minha dignidade. Coloca em meu coração o desejo de permanecer sempre perto de ti. Eu creio que, onde a tua luz chega, nenhuma treva pode permanecer. Amém.”

Autor: Fabrício Martins Brito

Membro de aliança da comunidade Mel de Deus

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