“Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia nem a hora.”
No Evangelho das dez virgens, Jesus nos recorda que a vida cristã é uma espera. Caminhamos ao encontro do Esposo, que é o próprio Cristo. Sabemos que Ele virá, embora não saibamos o dia nem a hora. Por isso, não basta ter começado a caminhada: é necessário perseverar até o fim.
Todas as virgens possuíam lâmpadas. Todas esperavam pelo noivo. E todas, diante da demora, adormeceram. A diferença não estava no cansaço, mas na preparação. As prudentes, mesmo cansadas, tinham levado consigo uma reserva de óleo. As imprudentes possuíam a lâmpada, mas não tinham o necessário para mantê-la acesa.
Isso nos ensina que vigiar não significa nunca sentir cansaço, medo ou fraqueza. Vigiar significa conservar dentro de nós aquilo que mantém a chama da fé acesa. O óleo representa essa vida interior alimentada pela oração, pela Palavra de Deus, pela Eucaristia, pela Confissão, pela caridade e pela fidelidade nas pequenas coisas.
Podemos estar dentro da Igreja, participar das celebrações e conhecer a Palavra, mas permitir que, pouco a pouco, o nosso óleo se acabe. Isso acontece quando abandonamos a oração, fazemos concessões ao pecado, nos acomodamos espiritualmente ou permanecemos em ambientes e relacionamentos que nos afastam de Deus.
Precisamos confiar na graça, mas também colaborar com ela. Deus oferece o óleo, porém somos nós que devemos conservar a lâmpada, abastecê-la e protegê-la. A vigilância do coração é necessária especialmente nos momentos de tentação, pois o Espírito Santo procura continuamente nos despertar para a oração e para a fidelidade.
Quando as virgens prudentes não repartem o óleo, isso pode parecer egoísmo. Entretanto, Jesus não está ensinando falta de caridade. Está mostrando que existem realidades espirituais que ninguém pode viver em nosso lugar. Podemos rezar uns pelos outros, aconselhar, evangelizar e caminhar juntos, mas ninguém pode emprestar sua intimidade com Deus.
Ninguém poderá nos entregar, no último instante, uma vida de oração que não cultivamos, uma conversão que sempre adiamos ou uma fidelidade que nunca buscamos. Também precisamos de prudência para reconhecer os lugares e as companhias que enfraquecem a nossa fé.
Amar alguém não significa acompanhá-lo em tudo. Podemos amar sem participar do pecado; acolher sem abandonar nossas convicções; ajudar sem permitir que o outro nos arraste para longe de Deus. Algumas vezes, manter uma distância prudente não é falta de amor, mas cuidado com a vocação e com a graça que o Senhor nos confiou.
A pergunta que o Evangelho nos faz hoje é muito pessoal: como está o óleo da minha lâmpada? Minha oração ainda alimenta minha fé? Tenho cuidado da minha alma? Estou preparado para encontrar o Senhor?
Peço hoje essa graça ao Senhor: que, na minha espera, não permitais que a chama da nossa fé se apague. Ensinai-nos a vigiar, a perseverar e a cuidar da graça que recebemos.
Dai-nos sabedoria para reconhecer as companhias que nos aproximam de Vós e prudência diante daquilo que ameaça nossa fé. Que, quando o Esposo chegar, encontre nossas lâmpadas acesas e nossos corações preparados. Amém.
Autor: Fabrício Martins Brito
Membro de aliança da comunidade Mel de Deus