Lucas 12,1-7
“Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais.” (Lc 12,7)
Jesus nos convida a reconhecer o valor que temos diante do Pai. Ele conhece nossas dores, nossas lutas e até os cabelos de nossa cabeça. Nenhum de nós passa despercebido ao Seu amor. Mesmo quando nos sentimos frágeis, esquecidos ou incapazes, podemos confiar que somos conhecidos e amados por Deus.
Nossa vida tem um valor que as coisas deste mundo não conseguem medir. A cruz revela até onde Deus quis ir para nos salvar: fomos resgatados pelo sangue precioso de Jesus. Ele nos amou quando ainda éramos pecadores e abriu para nós o caminho da vida eterna. Por isso, não podemos permitir que as promessas passageiras deste mundo nos façam esquecer a grandeza do amor que recebemos.
O inimigo procura nos fazer esquecer essa verdade. Apresenta ofertas à nossa vaidade, ao nosso orgulho e à nossa soberba. Sugere que uma satisfação passageira vale uma desobediência; que uma vantagem justifica uma mentira; e que, para sermos reconhecidos, podemos deixar de ser fiéis. Aos poucos, tenta nos convencer de que vale a pena negociar aquilo que temos de mais precioso por algo que logo passará.
Assim, procura colocar preço naquilo que devemos guardar como sagrado: nossa consciência, nossa fidelidade e nossa comunhão com Deus. Quando cedemos repetidamente a essas tentações e nos recusamos a mudar, corremos o risco de nos afastar do Senhor e de enfraquecer nossa vida espiritual.
Precisamos vigiar. O prazer imediato pode esconder consequências profundas, e uma escolha aparentemente pequena pode alimentar um afastamento de Deus quando insistimos nela e fechamos o coração à conversão. Por isso, é necessário examinar nossas intenções, reconhecer nossas fraquezas e buscar a graça divina para permanecer no caminho do bem.
Entretanto, essa vigilância não deve se transformar em pavor do demônio. Jesus nos chama à confiança no Pai e ao santo temor de Deus, que consiste em reconhecer Sua santidade e levar a sério nossa resposta ao Seu amor. O inimigo pode nos tentar, mas não é senhor de nossa liberdade. Sustentados pela graça, podemos resistir ao mal, rejeitar suas seduções e escolher aquilo que nos aproxima de Cristo.
Hoje, vale perguntar ao nosso coração: o que tem ameaçado minha fidelidade a Deus? Por qual satisfação passageira tenho colocado em risco aquilo que permanece para sempre? Tenho buscado reconhecimento, prazer ou vantagens a qualquer custo, ou tenho procurado viver de acordo com a vontade do Senhor?
O Céu é dom da misericórdia divina, oferecido a nós por meio da morte e da Ressurreição de Jesus. Acolher esse dom é aprender, a cada dia, a viver como alguém que é amado por Deus e chamado à eternidade. Nosso valor não está naquilo que conquistamos, na aprovação das pessoas ou nos prazeres que experimentamos, mas no amor com que o Senhor nos criou e nos resgatou.
E, se já caímos, podemos voltar. Na Confissão, o Senhor nos oferece o perdão e a graça para recomeçar. Nosso pecado precisa ser reconhecido e abandonado, mas não devemos nos desesperar nem esquecer a misericórdia divina. O amor de Deus nos chama à conversão e nos fortalece para recomeçar, procurando permanecer fiéis nas pequenas e grandes decisões de cada dia.
Senhor Jesus, grava em meu coração a certeza do Teu amor. Quando a tentação me oferecer vantagens e prazeres que me afastam de Ti, faze-me recordar a Tua cruz. Dá-me discernimento para reconhecer o mal, coragem para recusá-lo e humildade para voltar sempre que eu cair. Pela intercessão da Virgem Maria, ensina-me a guardar a graça recebida e a escolher, nas pequenas decisões de hoje, o caminho da vida eterna. Amém.
Autor: Fabrício Martins Brito
Membro de aliança da comunidade Mel de Deus