Santa Teresa d’Ávila foi uma mulher de profunda intimidade com Jesus, apaixonada pela oração e determinada a entregar toda a sua vida ao Amado. Nascida na Espanha, em 28 de março de 1515, ela possuía uma personalidade marcante, alegre, expressiva e cheia de vitalidade. Gostava da vida, valorizava as amizades e demonstrava grande capacidade de se relacionar com as pessoas. Entretanto, ao longo de sua caminhada, descobriu que nenhuma realidade poderia preencher seu coração como a amizade verdadeira com Deus.
Sua história revela que a santidade não exige que uma pessoa deixe de lado sua humanidade, sua personalidade ou seus talentos. Pelo contrário, Deus pode utilizar todas essas características para conduzi-la a uma profunda transformação interior. Teresa conheceu as próprias fraquezas, enfrentou lutas espirituais e passou por um verdadeiro processo de conversão. Assim, sua vida tornou-se um testemunho de que o Senhor continua chamando cada pessoa a uma relação de amor, confiança e entrega.
A Igreja reconhece Santa Teresa d’Ávila como Doutora da Igreja e uma das grandes mestras da espiritualidade cristã. Por meio de seus escritos e de sua experiência de oração, ela ensinou gerações de cristãos a percorrer o caminho da intimidade com Deus. Além disso, sua coragem, sua determinação e seu amor pela vida comunitária continuam inspirando aqueles que desejam viver a santidade de maneira concreta. Para a Comunidade Mel de Deus, Teresa possui um significado especial: ela é a padroeira da colmeia e um modelo de mulher que uniu a amizade com Jesus à amizade com os irmãos.
Quem foi Santa Teresa d’Ávila?
Uma mulher cheia de vida
Teresa nasceu em Ávila, na Espanha, em uma época marcada por grandes transformações políticas, sociais e religiosas. Desde a infância, demonstrava interesse pelas histórias dos santos, que despertavam em seu coração o desejo de conhecer Deus e alcançar a vida eterna. Essas narrativas alimentavam sua imaginação e despertavam nela uma vontade de entregar-se inteiramente ao Senhor. Ainda jovem, Teresa já carregava dentro de si uma inquietação espiritual que, com o tempo, se tornaria uma profunda busca pela santidade.
Durante a adolescência, entretanto, Teresa também experimentou as vaidades e os desejos próprios de sua idade. Gostava de se arrumar, apreciava roupas bonitas e desejava ser amada. Além disso, interessava-se pelas histórias de amor e pelas relações humanas. Após perder sua mãe, quando tinha cerca de treze anos, procurou na Virgem Maria uma mãe espiritual. Mais tarde, seu pai a encaminhou para um ambiente religioso, onde ela começou a considerar seriamente a possibilidade de seguir a vida consagrada.
No início, Teresa não desejava entrar no convento com plena convicção. A decisão envolvia conflitos interiores, receios e questionamentos. Entretanto, pouco a pouco, a possibilidade de entregar sua vida a Deus foi amadurecendo em seu coração. Sua história mostra que a vocação nem sempre começa com certezas absolutas ou com uma experiência espiritual extraordinária. Muitas vezes, Deus conduz a pessoa por meio de acontecimentos, inquietações e pequenas respostas que, ao longo do tempo, revelam um caminho.
Uma santa que conheceu suas próprias fraquezas
Teresa entrou para o Carmelo ainda jovem, mas reconheceu posteriormente que viveu um período de tibieza espiritual. Embora estivesse no convento, sua relação com Deus nem sempre ocupava o lugar central de sua vida. Ela enfrentava dificuldades para perseverar na oração e experimentava uma divisão interior entre o desejo de pertencer ao Senhor e os apegos que ainda a mantinham dispersa. Por isso, sua história não apresenta uma mulher que nasceu pronta para a santidade, mas alguém que precisou permitir que Deus transformasse profundamente seu coração.
Essa experiência torna seu testemunho especialmente próximo de nós. Também podemos desejar amar a Deus e, ao mesmo tempo, encontrar dificuldades para perseverar na oração, vencer nossas distrações e abandonar aquilo que nos afasta d’Ele. Entretanto, Teresa nos ensina que nossas fraquezas não precisam determinar o final de nossa história. Quando reconhecemos nossas limitações e nos abrimos à graça, Deus pode iniciar em nós uma transformação verdadeira.
A conversão de Santa Teresa d’Ávila
O encontro que transformou sua vida
Ao longo de sua caminhada, Teresa passou por experiências espirituais que transformaram sua maneira de compreender a oração e sua relação com Jesus. A contemplação de Cristo e, especialmente, de Sua humanidade tornou-se fundamental em seu caminho. Ao olhar para o Crucificado, ela descobriu cada vez mais profundamente o amor de Deus e reconheceu que precisava responder a esse amor com uma entrega sincera. Assim, sua conversão não consistiu apenas em modificar comportamentos exteriores, mas em permitir que o Senhor ocupasse o centro de sua existência.
A oração tornou-se o espaço privilegiado desse encontro. Teresa compreendeu que não poderia conhecer verdadeiramente uma pessoa apenas ouvindo falar dela ou acumulando informações a seu respeito. Era necessário estabelecer uma relação pessoal. O mesmo acontece com Deus: podemos conhecer ensinamentos religiosos, ler livros espirituais e participar de atividades da Igreja, mas precisamos cultivar um relacionamento vivo com Jesus. Por isso, Teresa apresentou a oração como um caminho de amizade com Aquele que nos ama e permanece próximo de nós.
A oração como amizade com Deus
A espiritualidade teresiana destaca a oração como uma relação de amizade, na qual a pessoa aprende a permanecer na presença de Deus com confiança e sinceridade. Não se trata simplesmente de cumprir uma obrigação ou repetir palavras sem atenção, mas de dedicar tempo ao Senhor e permitir que Ele transforme o coração. Assim como uma amizade humana cresce por meio da convivência, da escuta e da confiança, também nossa intimidade com Jesus exige perseverança e disponibilidade.
Entretanto, a oração não precisa começar com sentimentos extraordinários ou experiências místicas. Podemos aproximar-nos de Deus com nossas alegrias, dificuldades, dúvidas e limitações. O essencial é comparecer diante d’Ele com um coração sincero e desejar crescer nessa relação. Teresa conheceu momentos de aridez e enfrentou lutas interiores, mas aprendeu que a perseverança na oração é fundamental para quem deseja amadurecer espiritualmente.
Por isso, sua vida nos convida a rever a maneira como rezamos. Temos reservado tempo para estar com Jesus? Nossa oração é apenas uma lista de pedidos ou também um momento de escuta e amizade? Permitimos que a Palavra de Deus ilumine nossas decisões? Essas perguntas ajudam a transformar a oração em uma experiência concreta de encontro, na qual o Senhor não permanece distante, mas participa de nossa história.
Santa Teresa d’Ávila e a intimidade com Jesus
Conhecer Deus por meio de uma relação pessoal
Santa Teresa compreendeu que a intimidade com Deus nasce de uma relação pessoal e se desenvolve por meio da oração perseverante. Podemos aprender muito sobre a fé por meio de livros, formações e conversas, mas essas experiências precisam conduzir-nos ao encontro com o próprio Senhor. Afinal, conhecer a respeito de Deus não é exatamente o mesmo que conhecê-Lo pela oração. A intimidade cresce quando abrimos nosso coração, escutamos Sua Palavra e procuramos responder ao Seu amor com atitudes concretas.
Além disso, a oração nos ajuda a reconhecer aquilo que precisa ser transformado em nossa vida. Quando permanecemos diante de Jesus, começamos a enxergar nossas atitudes com mais verdade e humildade. Percebemos os apegos, as vaidades, os ressentimentos e as distrações que dificultam nossa entrega. Entretanto, esse reconhecimento não deve gerar desânimo. Pelo contrário, a presença de Deus nos fortalece para recomeçar e caminhar em direção a uma liberdade interior cada vez maior.
A determinação no caminho espiritual
Teresa também ensina que a vida de oração exige determinação. Não podemos depender apenas da vontade do momento, porque haverá dias de consolação e dias de aridez. Algumas vezes, rezar parecerá fácil; em outras, será necessário vencer o cansaço, as preocupações e a dispersão. Por isso, a perseverança torna-se uma expressão concreta do amor. Permanecemos com Jesus não somente porque sentimos Sua presença, mas porque acreditamos que Ele merece nosso tempo e nossa fidelidade.
Essa determinação aparece de maneira especial em sua conhecida frase: “O demônio tem medo de almas determinadas”. A frase recorda a importância de perseverar no bem e não abandonar o caminho espiritual diante das dificuldades. Assim, Teresa nos convida a assumir seriamente nossa vocação à santidade, confiando na graça de Deus e dando passos concretos para crescer na intimidade com Ele.
A experiência mística de Santa Teresa d’Ávila
A transverberação: um coração ferido de amor
Entre as experiências espirituais associadas à vida de Santa Teresa está a transverberação, relatada por ela em seus escritos. Teresa descreveu uma visão na qual um anjo transpassava seu coração com uma lança, provocando nela uma profunda experiência do amor de Deus. Essa experiência mística tornou-se uma das imagens mais conhecidas de sua espiritualidade, pois expressa o desejo de uma união cada vez mais profunda com o Senhor.
A transverberação não deve ser entendida como um objetivo que todos precisam alcançar para chegar à santidade. A experiência de Teresa foi uma graça particular, recebida dentro de sua caminhada espiritual. O que podemos aprender com ela é a disponibilidade para amar a Deus sem reservas e permitir que esse amor transforme nossas escolhas. Mais importante do que buscar experiências extraordinárias é crescer na fidelidade, na humildade e na caridade.
Uma alma apaixonada pelo Amado
A espiritualidade de Teresa possui uma dimensão esponsal muito profunda. Ela compreendia a relação com Deus como uma entrega amorosa, na qual a alma deseja pertencer inteiramente ao Senhor. Essa imagem revela uma amizade que amadurece até se tornar uma entrega total: a pessoa não procura apenas receber benefícios de Deus, mas deseja amá-Lo por aquilo que Ele é. Assim, a oração conduz a uma relação cada vez mais profunda, marcada pela confiança e pela disponibilidade para cumprir Sua vontade.
Essa dimensão também ilumina nossa vocação na Comunidade Mel de Deus. Somos chamados a desenvolver uma alma esposa, apaixonada por Jesus e disponível para acolher os desejos do Amado. Essa entrega não se limita aos momentos de oração ou às experiências vividas na capela. Ela alcança nossas decisões, nossos relacionamentos, nossos projetos e a maneira como servimos à missão. Quanto mais crescemos no amor a Cristo, mais desejamos oferecer a Ele toda a nossa vida.
Santa Teresa d’Ávila e a reforma do Carmelo
A coragem de recomeçar
O amor de Teresa por Jesus não permaneceu restrito à sua vida interior. Ao longo de sua caminhada, ela percebeu a necessidade de recuperar o fervor espiritual da vida carmelita e dedicou-se à reforma do Carmelo. Desejava que a vida religiosa fosse marcada por uma oração mais profunda, maior simplicidade, pobreza e fidelidade ao carisma original. Para isso, precisou tomar decisões difíceis e enfrentar resistências de pessoas que não compreendiam suas propostas.
Em 1562, Teresa fundou em Ávila o convento de São José, marco importante da reforma que procurava promover. Posteriormente, continuou suas fundações e colaborou com São João da Cruz na renovação da vida carmelita masculina. Essa missão exigiu coragem, discernimento e perseverança, pois ela enfrentou críticas, incompreensões e dificuldades de diferentes naturezas. Entretanto, permaneceu fiel àquilo que discernia como vontade de Deus.
Fidelidade à voz de Deus
A trajetória de Teresa mostra que a fidelidade a Deus nem sempre recebe aprovação imediata. Às vezes, seguir aquilo que acreditamos ser a vontade do Senhor exige enfrentar resistências e abandonar a comodidade. Entretanto, coragem não significa agir impulsivamente ou ignorar os outros. Teresa precisou unir oração, discernimento, inteligência e determinação para conduzir sua missão. Assim, sua vida ensina que a intimidade com Deus deve fortalecer nossa capacidade de responder com responsabilidade aos desafios da vocação.
Para a Comunidade Mel de Deus, esse testemunho recorda a importância de permanecer fiel ao carisma recebido e de cultivar a coragem necessária para viver a missão. Quando surgem dificuldades, não podemos abandonar precipitadamente aquilo que Deus nos confiou. Precisamos rezar, escutar, discernir e perseverar, mantendo o coração disponível para a ação do Espírito Santo.
Santa Teresa d’Ávila e a amizade com os irmãos
A amizade com Deus e a amizade humana
Um dos aspectos mais importantes da espiritualidade teresiana é a relação entre a amizade com Deus e a amizade com as pessoas. Teresa compreendeu que o amor verdadeiro não pode permanecer fechado dentro do próprio coração. Quando uma pessoa experimenta o amor do Senhor, esse amor começa a transformar sua maneira de acolher, escutar e servir os outros. Por isso, a intimidade com Deus não nos afasta das relações humanas; pelo contrário, ensina-nos a vivê-las de maneira mais profunda e verdadeira.
A amizade exige disponibilidade, confiança e abertura. Precisamos aprender a escutar sem julgar precipitadamente, acolher sem procurar vantagens e oferecer ajuda sem transformar o serviço em motivo de orgulho. Além disso, uma amizade verdadeira não se constrói apenas nos momentos agradáveis. Ela também amadurece quando enfrentamos diferenças, corrigimos atitudes com caridade e permanecemos ao lado de alguém durante as dificuldades. Dessa forma, as relações humanas podem tornar-se espaços concretos de crescimento na santidade.
O amor que se transforma em atitudes
Teresa também nos ajuda a compreender que o amor pode ser reconhecido por seus frutos. Quem ama procura fazer o bem, demonstra interesse pelo outro e permanece aberto às suas necessidades. Por isso, não basta afirmar que amamos a Deus se tratamos nossos irmãos com indiferença, impaciência ou desprezo. A vida espiritual precisa alcançar nossa maneira de falar, nossas reações, nossas escolhas e a disposição para ajudar aqueles que caminham conosco.
Essa verdade possui uma importância especial para a vida comunitária. Podemos participar de momentos de oração, formações e atividades apostólicas, mas precisamos verificar se essas experiências nos tornam mais fraternos. Estamos disponíveis para ouvir um irmão que sofre? Procuramos a reconciliação quando surgem conflitos? Conseguimos acolher as diferenças sem perder a caridade? Essas perguntas ajudam a perceber se nossa intimidade com Deus está produzindo frutos concretos.
Crescer na intimidade com Deus e com os irmãos
A Comunidade Mel de Deus reconhece na vida de Santa Teresa uma expressão profunda de sua própria vocação. À medida que cresce a intimidade com Deus, também precisa crescer a intimidade com os irmãos. Essas duas dimensões não competem entre si, mas se fortalecem mutuamente. Quanto mais aprendemos a receber o amor do Pai, mais somos chamados a oferecê-lo àqueles que Ele colocou em nosso caminho.
Por isso, a fraternidade não pode ser tratada como um aspecto secundário da santidade. Ela faz parte do caminho pelo qual aprendemos a amar concretamente. Nossos irmãos de comunidade, familiares, amigos, colegas de profissão e todas as pessoas que encontramos podem tornar-se oportunidades para praticar a paciência, a generosidade, o perdão e a acolhida. Assim, a vida cotidiana transforma-se em um espaço no qual nossa oração ganha forma e nosso amor a Deus se torna visível.
Santa Teresa d’Ávila, padroeira da colmeia Mel de Deus
Uma mulher de intimidade e missão
Santa Teresa d’Ávila é um modelo especial para a Comunidade Mel de Deus porque uniu uma profunda vida de oração a uma grande capacidade de agir. Ela não permaneceu fechada em suas experiências espirituais, mas permitiu que o amor de Deus conduzisse suas decisões, suas fundações e seu serviço à Igreja. Dessa maneira, sua vida demonstra que a contemplação e a missão não precisam caminhar separadas. Quando a oração ocupa o centro da existência, ela nos fortalece para responder às necessidades concretas da vocação.
Teresa também nos ensina que Deus pode utilizar nossa personalidade e nossos talentos para realizar Sua obra. Sua inteligência, sua capacidade de comunicação, seu humor e sua determinação fizeram parte de sua história. Entretanto, essas características amadureceram à medida que ela cresceu na intimidade com o Senhor. Assim, não precisamos apagar nossa humanidade para nos tornarmos santos. Precisamos permitir que Deus purifique nossos desejos, oriente nossas capacidades e conduza tudo aquilo que somos para o amor.
Uma alma esposa, inteiramente entregue a Jesus
A espiritualidade esponsal constitui outro aspecto fundamental de sua relação com o carisma Mel de Deus. Teresa desejava pertencer inteiramente ao Senhor e responder ao Seu amor com uma entrega sincera. Essa atitude nos convida a perguntar se Jesus ocupa realmente o primeiro lugar em nossas escolhas. Estamos dispostos a escutar Sua voz mesmo quando ela nos chama a sair da comodidade? Procuramos cumprir Sua vontade ou desejamos apenas que Ele confirme nossos próprios planos?
Ser uma alma esposa significa cultivar uma relação de amor, fidelidade e entrega a Cristo. Essa disposição precisa aparecer nas pequenas escolhas diárias, na perseverança da oração, na vivência dos compromissos e na disponibilidade para servir. Dessa forma, nossa consagração deixa de ser apenas uma declaração exterior e torna-se uma resposta concreta ao amor de Deus. Como Teresa, somos chamados a permitir que o Amado transforme toda a nossa existência.
Uma colmeia que vive a amizade verdadeira
A imagem da colmeia também nos ajuda a compreender a dimensão comunitária desse chamado. As abelhas não trabalham apenas para si mesmas, mas participam de uma realidade compartilhada. De maneira semelhante, cada membro da Comunidade Mel de Deus é chamado a oferecer seus dons, sua disponibilidade e seu amor para a edificação de todos. A intimidade com Deus precisa produzir frutos que beneficiem a comunidade e alcancem as pessoas que encontramos ao longo da missão.
Por isso, o testemunho de Santa Teresa nos convida a construir relações autênticas, nas quais a oração fortaleça a fraternidade e a fraternidade nos ajude a crescer na santidade. Não basta viver experiências pessoais com Deus se permanecemos fechados às necessidades dos irmãos. O amor recebido na oração precisa transbordar em gestos concretos, em palavras que edificam, em perdão sincero e em serviço generoso. Assim, nossa colmeia torna-se um lugar onde a amizade com Jesus gera amizade verdadeira entre nós.
Os escritos de Santa Teresa d’Ávila: um caminho para a oração
Santa Teresa não apenas viveu uma profunda experiência de oração, mas também registrou suas descobertas espirituais em obras que continuam ajudando os cristãos. Seus escritos apresentam reflexões sobre a conversão, a vida interior, as dificuldades da oração e o crescimento na amizade com Deus. Por meio deles, podemos acompanhar parte de sua caminhada e encontrar orientações para nossa própria busca pela santidade.
Livro da Vida
Em Livro da Vida, Teresa apresenta aspectos de sua história pessoal e de sua experiência espiritual. A obra permite compreender suas lutas, seus processos de conversão e a maneira como a oração foi transformando sua relação com Deus. Ao conhecer esse percurso, percebemos que a santidade não nasce de uma trajetória sem dificuldades, mas de uma resposta perseverante à graça divina.
Caminho de Perfeição
Em Caminho de Perfeição, Teresa oferece orientações para aqueles que desejam crescer na oração e na vida espiritual. A obra destaca a importância da oração, da humildade, do desapego e da caridade. Assim, ajuda-nos a compreender que o crescimento interior exige uma transformação concreta da maneira como vivemos e nos relacionamos com os outros.
Castelo Interior ou Moradas
Em Castelo Interior, também conhecido como Moradas, Teresa utiliza a imagem de um castelo para apresentar o caminho da vida interior. Essa imagem ajuda a compreender que a alma é chamada a avançar em uma relação cada vez mais profunda com Deus. O percurso exige perseverança, conversão e abertura à graça, pois o Senhor deseja conduzir a pessoa a uma união mais íntima com Ele.
Essas obras constituem um convite à leitura e à oração. Não precisamos conhecer todos os escritos de Teresa de uma só vez. Podemos começar com uma leitura atenta, reservar tempo para meditar e perguntar como cada ensinamento pode transformar nossa vida. Desse modo, a espiritualidade teresiana deixa de ser apenas um conhecimento sobre uma santa do passado e torna-se uma ajuda concreta para nosso caminho com Jesus.
A santidade nas pequenas coisas
A vida de Santa Teresa também nos recorda que a intimidade com Deus precisa alcançar as tarefas comuns. A oração não nos retira da realidade cotidiana, mas nos ensina a vivê-la com um coração mais livre e disponível. Teresa reconhecia que era possível encontrar Deus até mesmo nas atividades domésticas, como expressa a conhecida ideia de encontrá-Lo entre as panelas. Essa imagem revela que nenhuma tarefa realizada com amor precisa permanecer separada da vida espiritual.
Por isso, não devemos imaginar que a santidade acontece somente durante momentos extraordinários de oração. Ela também se manifesta quando cumprimos nossas responsabilidades com fidelidade, acolhemos alguém com paciência, realizamos um serviço sem procurar reconhecimento ou oferecemos nosso tempo para ajudar. Além disso, as dificuldades do cotidiano podem ensinar-nos a crescer na humildade e no abandono à vontade de Deus. Assim, cada ambiente torna-se uma oportunidade para aprofundar nossa relação com o Senhor.
Para nós, consagrados e vocacionados da Comunidade Mel de Deus, esse ensinamento é especialmente importante. Somos chamados a viver a intimidade com Deus não apenas durante os momentos comunitários, mas também em casa, no trabalho, nos estudos e nos relacionamentos. A santidade precisa acompanhar nossas escolhas quando ninguém está olhando e orientar nossa maneira de tratar as pessoas. Dessa forma, nossa vida inteira pode se tornar uma resposta de amor ao Amado.
O legado de Santa Teresa d’Ávila para a Igreja
Santa Teresa foi beatificada em 1614, canonizada em 1622 e proclamada Doutora da Igreja pelo Papa Paulo VI em 1970. Esse reconhecimento destaca a importância de sua vida e de seus ensinamentos para a espiritualidade cristã. Seus escritos continuam ajudando pessoas de diferentes estados de vida a compreender a oração e a buscar uma relação mais profunda com Deus. Assim, sua contribuição ultrapassa os limites de sua época e permanece atual para a Igreja.
Teresa faleceu em 4 de outubro de 1582, deixando um legado marcado pela oração, pela coragem, pela reforma do Carmelo e pela amizade com Deus. Segundo a tradição registrada em sua biografia, suas últimas palavras foram: “Morro filha da Igreja”. Essa expressão resume seu amor pela Igreja e sua disposição de permanecer fiel até o fim. Sua vida mostra que uma alma profundamente apaixonada por Jesus também deseja servir à Igreja e colaborar com sua missão.
A Igreja celebra sua memória litúrgica em 15 de outubro. Nessa ocasião, somos convidados a recordar não apenas os acontecimentos de sua história, mas também o caminho espiritual que ela nos apresenta. Teresa nos ensina que a oração pode transformar uma pessoa, que a amizade com Deus precisa gerar amor pelos irmãos e que a fidelidade à vocação exige coragem e perseverança. Por isso, sua memória torna-se uma oportunidade para renovar nosso próprio desejo de santidade.
Uma amizade que transforma toda a vida
Santa Teresa d’Ávila nos deixa uma mensagem que permanece profundamente atual: a verdadeira amizade com Deus transforma nossa maneira de viver. Quando reservamos tempo para a oração, permitimos que o Senhor ilumine nossas escolhas e purifique nossos desejos. Além disso, quando acolhemos Seu amor, aprendemos a olhar para os irmãos com mais misericórdia, paciência e generosidade. Dessa forma, a intimidade com Jesus deixa de ser apenas uma experiência interior e começa a produzir frutos visíveis.
Seu testemunho também nos convida a perseverar mesmo quando o caminho parece difícil. Teresa enfrentou lutas interiores, experimentou períodos de aridez e precisou superar resistências para realizar sua missão. Entretanto, não permitiu que as dificuldades tivessem a última palavra. Com determinação e confiança na graça, continuou buscando a vontade de Deus. Assim, sua vida nos encoraja a não desistir da oração, da fraternidade e da vocação diante dos desafios.
Para a Comunidade Mel de Deus, contemplar Santa Teresa significa renovar o compromisso de ser uma colmeia marcada pela intimidade com o Pai e pela amizade verdadeira entre os irmãos. Que nossa oração nos torne mais disponíveis para amar, que nossa consagração nos conduza a uma entrega cada vez mais profunda a Jesus e que nossos relacionamentos manifestem a presença de Deus. Sobretudo, que aprendamos a transformar os dons recebidos em serviço, a perseverar nas dificuldades e a buscar a santidade em todas as dimensões da vida.
Que Santa Teresa d’Ávila interceda por nós e nos ajude a cultivar uma amizade profunda com Jesus. Que ela nos ensine a permanecer na oração, a escutar a voz do Amado e a entregar nossa vontade à Sua vontade. Além disso, que sua vida nos inspire a crescer na fraternidade e a construir relações verdadeiras com nossos irmãos de comunidade, nossos familiares, amigos e todas as pessoas que Deus colocar em nosso caminho.
Santa Teresa d’Ávila, rogai por nós!