Lucas 12,49-53

Para que Cristo reine, alguma coisa em nós precisa perder o trono. No Evangelho (Lc 12,49-53), Jesus anuncia que Sua vinda provoca divisão. Essas palavras nos inquietam: como Aquele que nos ensina a amar pode falar em dividir?

Jesus nos oferece uma paz que exige conversão. Segui-Lo implica fazer escolhas, e nem todos acolhem essas escolhas — às vezes, até mesmo dentro da própria família. Ele não nos convida a romper os laços do amor, mas a permanecer fiéis a Deus, mesmo quando essa fidelidade encontra resistência. Entretanto, essa batalha começa dentro de nós.

Queremos pertencer a Deus, mas também desejamos alimentar o orgulho, satisfazer a vaidade e fazer prevalecer a nossa vontade. Desejamos o Céu, mas resistimos a abandonar aquilo que nos prende ao pecado. Pedimos que Jesus entre em nossa vida, mas temos dificuldade de entregar a Ele o comando.

O problema não está em sermos humanos, pois nossa humanidade foi criada por Deus e assumida por Cristo. O que precisa ser vencido é o pecado, que desfigura em nós a capacidade de amar. Por isso, a graça nos impulsiona a fazer escolhas concretas: perdoar quando queremos revidar, servir quando buscamos reconhecimento e dizer a verdade quando a mentira parece mais vantajosa. Assim, com o auxílio de Jesus, o egoísmo perde espaço e o amor começa a governar nossas atitudes.

Esse testemunho pode despertar em outras pessoas o desejo de buscar a Deus. Contudo, também pode provocar rejeição. Nossa missão, porém, é continuar amando, sem nos considerarmos superiores a ninguém.

Senhor, acende em nós o fogo do Teu amor! Queima o nosso orgulho e fortalece a nossa vontade, para que, em cada escolha, sejamos cada vez mais Teus. Amém.

Autor: Fabrício Martins Brito

Membro de aliança da comunidade Mel de Deus

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