Homilia do 3º dia do Tríduo de Preparação para a Ordenação Presbiteral do Diácono Júlio Souza Lôbo Neto

“Quem quiser me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me.” (Lc 9,23)

Há momentos em que Deus permite à Igreja contemplar os frutos da fidelidade. A ordenação de um sacerdote é um desses momentos, pois manifesta a ação da graça na vida daquele que respondeu ao chamado do Senhor e perseverou até o fim.

Foi com esse olhar de gratidão que, no dia 31 de julho, último dia do mês, Frei Josué iniciou sua homilia. Logo no início, ele recordou como o tempo passa rapidamente. Parecia que havia sido ontem que o Diácono Júlio ingressara no seminário. Depois vieram o propedêutico, os anos de filosofia, a teologia, o diaconato e um intenso período missionário, especialmente em Valparaíso. Agora, toda essa caminhada encontrava seu cumprimento na ordenação presbiteral.

Ao recordar seus próprios trinta anos de ministério sacerdotal, Frei Josué fez uma confidência que emocionou toda a assembleia. Ele contou que um dos seus maiores arrependimentos era nunca ter anotado cada Santa Missa celebrada. Quantas Missas já oferecera ao longo da vida? Não saberia responder. Por isso, deixou um conselho ao futuro sacerdote:

“Anote cada Santa Missa. Cada Missa é um tesouro.”

Além disso, lembrou que, no domingo seguinte, a Comunidade teria a alegria de participar da primeira Missa do novo sacerdote. Seria um presente para toda a Igreja e um motivo de profunda ação de graças.

Em seguida, voltou-se para Badia e para toda a Comunidade Mel de Deus para agradecer a Deus pelo fruto que estava diante de todos. Depois da ordenação do Padre Diego, o Senhor concedia agora mais um sacerdote nascido do carisma da comunidade. Para Frei Josué, esse momento confirmava que vale a pena perseverar, confiar em Deus e dizer “sim” ao seu chamado, pois Ele continua realizando grandes obras na vida daqueles que lhe entregam tudo.

Entretanto, justamente na véspera de uma das maiores alegrias da vida do futuro sacerdote, a liturgia conduziu toda a assembleia a uma reflexão exigente.

Não existe sacerdócio sem cruz.

A graça também passa pela cruz

Seguir Jesus nunca foi um caminho de comodidade. Desde o início do Evangelho, o Senhor deixou claro que seus discípulos seriam chamados a percorrer o mesmo caminho que Ele.

Por isso, Jesus afirma:

“Quem quiser me seguir, tome cada dia a sua cruz e siga-me.”

Na ordenação, o sacerdote é configurado a Jesus Cristo, Cabeça da Igreja e Bom Pastor. Assim, se Cristo foi rejeitado, perseguido e crucificado, aquele que é configurado a Ele também deve estar disposto a abraçar esse mesmo caminho de entrega.

Ao sintetizar essa realidade, Frei Josué pronunciou uma das frases que marcaram toda a homilia:

“A graça é de graça, mas custa.”

A graça, da parte de Deus, é sempre um dom gratuito. É bênção. É misericórdia. É amor. É salvação. No entanto, quando essa graça encontra um coração disposto a vivê-la com fidelidade, muitas vezes também encontra oposição, incompreensão e perseguição.

O próprio Jesus foi o maior presente que o Pai ofereceu à humanidade. Contudo, justamente por anunciar a Verdade, foi rejeitado e conduzido à cruz.

Por isso, quem decide permanecer fiel ao Evangelho não deve se surpreender quando também enfrentar perseguições.

Ninguém nasceu para sofrer. Ainda assim, existe um sofrimento que possui valor eterno: aquele que é vivido e oferecido por amor a Cristo.

São Paulo ensina que completamos em nossa carne aquilo que falta aos sofrimentos de Cristo (cf. Cl 1,24). Do mesmo modo, Santa Teresinha do Menino Jesus afirmava que um dia sem sofrer por amor a Jesus seria um dia inútil, pois o verdadeiro amor não escolhe apenas aquilo que é agradável. Quem ama entrega tudo, inclusive a própria dor.

Pais e mães conhecem um pouco desse mistério, maridos e esposas também, quanto mais o sacerdote, o sacerdócio nasce exatamente dessa lógica: configurar-se plenamente a Jesus Cristo, o Bom Pastor que deu a vida por suas ovelhas.

A cruz, portanto, não é um acidente na vida sacerdotal. Ela faz parte da própria identidade daquele que foi chamado a servir. Assim como Cristo entregou a própria vida pela salvação da humanidade, o sacerdote também é chamado a gastar a própria existência pelo Reino de Deus, oferecendo-se diariamente por amor ao Senhor e ao seu povo.

Como uma vela que ilumina consumindo-se

Depois de mostrar que o sacerdócio passa inevitavelmente pela cruz, Frei Josué recorreu a duas imagens profundamente simbólicas para explicar como o sacerdote é chamado a viver sua vocação. Ambas revelam que a verdadeira fecundidade nasce da entrega. Quanto mais alguém se oferece por amor a Deus, mais sua vida se torna instrumento para conduzir outras pessoas ao encontro de Cristo.

A primeira imagem foi a da vela acesa sobre o altar. Uma vela existe para iluminar, mas só consegue cumprir sua missão porque se consome lentamente. Quanto mais luz oferece, mais entrega a própria cera. Assim também acontece com o sacerdote. Seu ministério não se limita à celebração dos sacramentos ou ao anúncio da Palavra. Antes de tudo, consiste em oferecer diariamente a própria vida para que Cristo seja conhecido, amado e glorificado. Por isso, Frei Josué recordou o conhecido canto da Igreja:

“Como vela que queima no altar, Senhor, quero me consumir de amor…”

Esse canto traduz a essência da vocação sacerdotal. Cada Missa celebrada, cada confissão atendida, cada visita aos enfermos, cada aconselhamento e cada sacrifício escondido fazem parte dessa oferta cotidiana. O sacerdote não entrega apenas o seu trabalho, mas toda a sua existência. É justamente essa doação silenciosa que torna seu ministério fecundo e permite que a luz de Cristo continue iluminando o mundo por meio de sua vida.

Na sequência, Frei Josué apresentou uma segunda imagem: a do rio. Durante seu percurso, o rio irriga a terra, mata a sede, leva vida às plantas, aos animais e às pessoas. Ao mesmo tempo, enfrenta obstáculos, contorna pedras e carrega consigo as marcas da caminhada. Entretanto, quando finalmente encontra o mar, entrega-se completamente. Tudo o que transportava é acolhido pela imensidão do oceano.

Assim também acontece com a vida cristã. Ao longo da caminhada, experimentamos alegrias e sofrimentos, vitórias e provações. Porém, o nosso destino sempre foi Deus. Cristo é esse oceano infinito para o qual caminhamos. Nele, toda luta encontra sentido, toda dor pode ser transformada pela graça e toda vida alcança sua plenitude. A imagem do rio recorda que fomos criados para nos entregarmos inteiramente ao Senhor, até que toda a nossa existência esteja mergulhada em seu amor.

O verdadeiro profeta anuncia… e denuncia

A primeira leitura da liturgia apresentava a missão do profeta Jeremias. Ao enviá-lo, Deus lhe faz uma exigência que resume toda a vocação profética:

“Não retires uma só palavra.” (Jr 26)

Para Frei Josué, essa ordem continua atual e define também a missão de todo sacerdote. O verdadeiro pastor não anuncia aquilo que o povo gostaria de ouvir, nem adapta o Evangelho às expectativas do mundo. Sua responsabilidade é proclamar integralmente a Palavra de Deus, com fidelidade, ainda que isso lhe custe incompreensões ou perseguições. Por isso, o ministério profético possui duas dimensões inseparáveis: anunciar a misericórdia, a esperança e a salvação oferecidas por Cristo, mas também denunciar tudo aquilo que afasta o homem de Deus.

O verdadeiro amor nunca separa misericórdia e verdade. Quem ama deseja conduzir o outro ao Céu e, justamente por isso, também o chama à conversão. Anunciar o Evangelho significa recordar a necessidade do arrependimento, da confissão e de uma vida reconciliada com Deus. Foi para ilustrar essa responsabilidade que Frei Josué utilizou uma imagem forte: assim como um cão de guarda que não late deixa a casa vulnerável ao perigo, também um sacerdote que deixa de advertir seu povo diante do pecado abandona uma parte essencial de sua missão.

Vivemos, porém, num tempo em que muitos desejam silenciar esse anúncio. Cresce a ideia de que tudo é permitido, de que o pecado deixou de existir e de que ninguém precisa mudar de vida. Diante dessa mentalidade, Frei Josué fez uma afirmação contundente:

“Se for assim, rasguemos o Evangelho.”

A frase evidencia o absurdo dessa lógica, porque todo o Evangelho é um permanente chamado à conversão. Jeremias compreendeu isso e permaneceu fiel até o fim. Não retirou uma única palavra daquilo que Deus lhe confiara. Denunciou a idolatria, confrontou a injustiça, combateu uma religiosidade apenas exterior e chamou o povo a voltar para o Senhor. Ainda hoje, Deus continua procurando homens que tenham essa mesma coragem para anunciar toda a verdade.

Como responder às perseguições?

Depois de mostrar que a cruz faz parte da vida de todo discípulo de Cristo e, de modo particular, da vocação sacerdotal, Frei Josué indicou dois caminhos concretos para enfrentar as perseguições sem perder a esperança. Em vez de permitir que o sofrimento gere desânimo ou endureça o coração, o cristão é chamado a fortalecer sua intimidade com Deus e a perseverar no amor. A cruz jamais é o ponto final da caminhada; ela sempre conduz a uma comunhão mais profunda com o Senhor.

Crescer na oração

A primeira resposta diante das perseguições é a oração. Quando a cruz pesa, quando surgem as incompreensões e quando as feridas parecem maiores do que nossas forças, é preciso rezar ainda mais. Se somos chamados a permanecer em oração em todos os momentos, muito mais nas horas difíceis. É na intimidade com Deus que encontramos a força para permanecer fiéis, a consolação para continuar caminhando e a esperança para não desistir diante das provações.

Recordando o Salmo proclamado na liturgia daquele dia, Frei Josué convidou toda a assembleia a fazer sua a oração do salmista:

“Respondei-me, ó Senhor, pelo vosso imenso amor.”

O próprio salmista conhece a dor da perseguição e não esconde seu sofrimento diante de Deus. Ele reconhece a força dos inimigos e apresenta ao Senhor toda a sua angústia:

“Mais numerosos que os cabelos da minha cabeça são aqueles que me odeiam sem motivo; meus inimigos são mais fortes do que eu; contra mim se voltam com mentiras.”

Essa experiência continua presente na vida de muitos cristãos. Quantas vezes nos sentimos injustamente acusados, incompreendidos ou feridos justamente por aqueles que procurávamos ajudar? Ainda assim, o salmista não abandona a oração. Ele continua confiando, esperando e colocando sua vida nas mãos de Deus. Assim também deve agir todo discípulo de Cristo. A oração talvez não retire imediatamente a cruz, mas fortalece o coração para carregá-la com fé e permanecer firme na vontade do Senhor.

Perseverar com paciência e bondade

A segunda resposta apresentada por Frei Josué é a perseverança. Diante das perseguições, o cristão não deve permitir que o mal transforme seu coração. Ao contrário, é chamado a responder com paciência, bondade e confiança, acreditando que Deus continua agindo mesmo quando os frutos ainda não são visíveis. Permanecer fiel é, muitas vezes, a forma mais concreta de testemunhar o Evangelho.

O Evangelho daquele dia apresenta Jesus voltando para Nazaré, a cidade onde crescera. Ali estavam seus familiares, seus amigos e todos aqueles que o haviam visto desde a infância. Humanamente, seria natural esperar que justamente naquele lugar Ele fosse acolhido com alegria. No entanto, aconteceu o contrário. A familiaridade impediu muitos de reconhecerem quem realmente era Jesus e fechou seus corações à ação de Deus.

Por isso, o Evangelho conclui:

“Um profeta não é estimado em sua própria pátria e em sua família.”

A incredulidade dos habitantes de Nazaré fez com que Jesus realizasse ali poucos milagres. Ao comentar essa passagem, Frei Josué recordou que essa também é a experiência de muitos cristãos que procuram viver o Evangelho com fidelidade. Nem sempre somos compreendidos dentro da própria casa. Quantos pais sofrem ao ver seus filhos afastarem-se de Deus. Quantas mães perseveram na oração enquanto esperam a conversão da própria família. Quantos filhos desejam conduzir seus pais para mais perto do Senhor e encontram resistência justamente entre aqueles que mais amam.

Mesmo diante dessas situações, Frei Josué insistiu que a resposta continua sendo a perseverança. Jamais devemos desistir daqueles que Deus confiou aos nossos cuidados. O amor cristão sabe esperar o tempo da graça e continua acreditando que Deus pode tocar os corações mais endurecidos. Por isso, recordou mais uma vez a promessa das Escrituras:

“Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua família.” (At 16,31)

Quem confia nessa Palavra não desiste facilmente. Continua rezando, testemunhando o Evangelho com a própria vida e esperando, com paciência, o agir de Deus. Afinal, muitas conversões acontecem depois de anos de oração silenciosa e de uma perseverança que nunca perde a esperança.

Um sacerdote para o altar, o púlpito e o confessionário

Ao concluir a homilia, Frei Josué dirigiu-se diretamente ao Diácono Júlio e recordou-lhe que, a partir do dia seguinte, sua vida estaria plenamente configurada a Jesus Cristo, Cabeça da Igreja e Bom Pastor. Em seguida, convidou-o a aproximar-se do altar e, diante de toda a assembleia, pediu que se ajoelhasse e beijasse aquele lugar santo. O gesto era simples, mas carregava um profundo significado espiritual e sintetizava toda a missão que ele receberia na ordenação.

Frei Josué explicou que todos os dias da vida sacerdotal começariam daquele mesmo modo: diante do altar. É ali que Cristo continua oferecendo o Sacrifício da Cruz para a salvação do mundo e alimentando seu povo com o Pão da Vida. Por isso, dirigiu ao futuro sacerdote uma exortação que resume o centro da espiritualidade sacerdotal:

“Nunca passe um dia sem amar este altar. Onde Deus o enviar, ame profundamente a Eucaristia.”

Logo depois, toda a assembleia estendeu as mãos sobre o Diácono Júlio em um intenso momento de intercessão. Enquanto rezava, Frei Josué afirmou perceber três lugares que marcariam profundamente toda a vida sacerdotal do novo padre: o altar, o púlpito e o confessionário. Mais do que espaços físicos, esses lugares representam as três grandes dimensões do ministério presbiteral e revelam a forma como Cristo continua cuidando do seu povo através dos sacerdotes.

O altar seria o centro de sua missão, pois é nele que a Eucaristia é celebrada e o Sacrifício de Cristo torna-se presente para alimentar a Igreja. O púlpito seria o lugar do anúncio da Palavra, onde o sacerdote é chamado a proclamar o Evangelho com fidelidade, sem retirar uma única palavra daquilo que Deus deseja comunicar ao seu povo. Frei Josué rezou para que o novo padre recebesse uma pregação cheia de unção, sabedoria e autoridade, capaz de tocar até os corações mais endurecidos.

Por fim, destacou o confessionário como lugar privilegiado da misericórdia. É ali que Deus continua restaurando, libertando e reconciliando os corações por meio do sacramento da Penitência. Recordando Santa Faustina, Frei Josué afirmou que os sacerdotes que anunciam e vivem a Divina Misericórdia recebem graças especiais para alcançar as almas mais distantes. Também invocou a intercessão de São João Maria Vianney, o Cura d’Ars, pedindo que o novo sacerdote se tornasse um grande confessor, um sábio diretor espiritual e um verdadeiro pai para muitas almas.

Mesmo sendo jovem no ministério, Frei Josué rezou para que Deus lhe concedesse a graça de sustentar vocações, formar novos sacerdotes e conduzir inúmeras pessoas ao encontro de Cristo. Ao mesmo tempo, profetizou que viveria tempos desafiadores para a Igreja, nos quais seriam necessários sacerdotes santos, firmes na fé e profundamente enraizados na misericórdia de Deus. No entanto, concluiu sua oração com uma palavra de esperança: o Senhor jamais abandona aqueles que chama e continuará sendo a força de todo sacerdote que permanecer fiel à sua vocação.

Permanecer fiel até o fim

Na véspera da ordenação presbiteral do Diácono Júlio Souza Lôbo Neto, a liturgia conduziu toda a assembleia a contemplar o verdadeiro significado do sacerdócio. Ao longo da homilia, Frei Josué mostrou que a vocação sacerdotal não pode ser compreendida apenas como um ministério ou uma missão confiada pela Igreja. Antes de tudo, ela é uma configuração profunda a Jesus Cristo, Bom Pastor, que oferece a própria vida pela salvação do seu povo. Por isso, quem é chamado ao sacerdócio também é chamado a viver diariamente o mistério da cruz.

Essa configuração manifesta-se em toda a vida do sacerdote. Sua existência deixa de pertencer somente a si mesmo para tornar-se uma oferta permanente a Deus e à Igreja. Sobre o altar, ele participa do Sacrifício de Cristo e alimenta o povo com a Eucaristia. Do púlpito, anuncia integralmente a Palavra de Deus, sem retirar uma única palavra daquilo que o Senhor deseja comunicar. No confessionário, torna-se instrumento da misericórdia divina, acolhendo os pecadores e conduzindo-os novamente à comunhão com Deus. Assim, cada dimensão do seu ministério revela o amor de Cristo que continua agindo no meio do seu povo.

Ao longo da reflexão, Frei Josué retomou duas imagens que sintetizam essa vocação. A primeira é a da vela que ilumina enquanto se consome. Quanto mais luz oferece, mais se entrega. Da mesma forma, o sacerdote é chamado a gastar a própria vida para que Cristo seja conhecido, amado e glorificado. A segunda imagem é a do rio que percorre um longo caminho até encontrar o mar. Durante sua trajetória, leva vida por onde passa, enfrenta obstáculos e recolhe as marcas da caminhada. No entanto, ao chegar ao oceano, entrega-se completamente. Assim também acontece com todo discípulo que faz de sua existência uma oferta nas mãos de Deus.

Dirigindo-se mais uma vez ao futuro sacerdote, Frei Josué deixou uma palavra de encorajamento para o ministério que se iniciaria no dia seguinte. As perseguições virão. Haverá momentos de incompreensão, de cansaço e de cruz. Em alguns momentos, o sacerdote experimentará a solidão, verá seus esforços parecerem insuficientes e enfrentará os desafios próprios de um tempo em que muitos já não desejam ouvir a verdade do Evangelho. Ainda assim, ele jamais poderá perder de vista Aquele que o chamou.

Foi justamente por isso que Frei Josué concluiu recordando uma certeza que sustenta toda vocação: Deus nunca abandona aqueles que escolhe. A graça do chamado vem acompanhada da graça necessária para permanecer fiel. Não é a capacidade humana que sustenta o ministério sacerdotal, mas a ação do próprio Deus na vida daquele que responde com generosidade ao seu convite.

Como síntese de toda a homilia, permaneceu no coração da assembleia uma verdade que atravessa a história da Igreja: Deus não procura homens perfeitos para realizar sua obra. Ele chama homens dispostos a confiar, a obedecer e a oferecer a própria vida. Por isso, mais importante do que possuir muitos talentos é permanecer fiel ao Senhor em cada etapa da caminhada.

Ao encerrar a celebração, toda a Comunidade Mel de Deus uniu-se em oração pelo Diácono Júlio, que no dia seguinte seria ordenado presbítero. Que seu ministério seja sempre marcado pelo amor à Eucaristia, pela fidelidade ao Evangelho, pela coragem de anunciar toda a verdade, pela dedicação às almas e pela misericórdia no confessionário. Que jamais lhe falte a graça de permanecer junto ao altar, de proclamar com unção a Palavra de Deus e de conduzir muitos corações ao encontro de Cristo.

Que, sustentado pela intercessão da Virgem Maria, de São João Maria Vianney e de todos os santos sacerdotes, o Padre Júlio persevere com alegria na missão que lhe foi confiada. E que sua vida, consumida por amor como a vela sobre o altar e entregue inteiramente ao Senhor como o rio que encontra o mar, produza abundantes frutos para a Igreja, para a Comunidade Mel de Deus e para a salvação de inúmeras almas.

Amém.

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