Santa Luzia, padroeira da cidade de Luziânia-GO, é patrona da Mel de Deus não por ser a protetora do município onde a Comunidade foi fundada, mas porque possui duas características essenciais que todo Mel de Deus deve cultivar: a participação fervorosa na Santa Missa e a profunda confiança no poder do Espírito Santo – confiança tão intensa a ponto de permitir-se ser guiada por ele até o martírio, se necessário fosse. Além disso, Santa Luzia é intercessora dos olhos, curando-nos tanto da visão corporal, quanto da visão espiritual, purificando-nos para ver e compreender o para quê e o porquê fomos criados: para contemplar a Deus. Como nos recorda o Evangelho:
“Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8).
Entre muitos de seus devotos, Santa Luzia é conhecida principalmente pelo episódio em que, já prestes a ser presa e entregue ao martírio, pergunta ao noivo – cujo casamento recusara por ter consagrado a Deus sua virgindade – o que nele havia despertado tanta admiração. Ao ouvir que eram seus olhos, ela os arranca e os entrega numa bandeja. Milagrosamente, outros olhos nascem em seu lugar, motivo pelo qual é reconhecida como protetora da visão.
A Eucaristia que gera milagres
Apenas com 21 anos, uma jovem entregar sua vida desse modo por amor a Cristo revela um vigor extraordinário. Contudo, antes desse episódio, há dois fatos importantes na vida de Santa Luzia que dialogam profundamente com nossa espiritualidade: sua participação fervorosa na Santa Missa lhe alcançou o milagre da cura de sua mãe, e sua confiança no Espírito Santo foi o que a conduziu, de maneira resoluta, ao martírio. Assim narra o Vatican News:
“No ano 301, Luzia e sua mãe vão a Catânia em peregrinação à sepultura de Santa Ágata. Eutíquia sofria de hemorragia e, não obstante diversos e onerosos tratamentos, nada resolveu. A mãe e a filha foram pedir à jovem mártir de Catânia a graça da cura. Em 5 de fevereiro, dies natalis de Ágata, chegaram à cidade e participaram da celebração Eucarística, diante da sepultura da santa. “Então, Luzia se dirigiu à sua mãe e lhe disse: ‘Mãe, se a senhora acreditar no que foi lido, também irá acreditar que Ágata, que sofreu o martírio por Cristo, teve livre acesso ao tribunal divino. Por isso, se quiser ser curada, toca, com confiança, a sepultura dela’”. Eutíquia e Luzia se aproximaram da sepultura de Ágata. Luzia reza pela mãe e pede a graça para si de poder dedicar a sua vida a Deus. Concentrada, teve um sono suave, como se fosse raptada em êxtase, e viu Ágata entre os anjos, anunciando: “Luzia, minha irmã e virgem do Senhor, porque pedir a mim o que você mesma pode fazer? A sua fé serviu de grande benefício para a sua mãe, que ficou curada. Como para mim a cidade de Catânia é cheia de graça, assim para você será preservada a cidade de Siracusa, porque Nosso Senhor Jesus Cristo apreciou seu desejo de manter a virgindade”. Ao voltar a si, Luzia contou à mãe o que aconteceu e lhe disse que queria renunciar ao marido terreno e vender seu dote para fazer caridade aos pobres. Decepcionado e irado, o jovem, que queria Luzia como sua esposa, a denunciou ao prefeito Pascasio, acusando-a de oferecer culto a Cristo e de desobedecer ao decreto de Diocleciano. Presa e conduzida ao prefeito, Luzia, interrogada, recusou o pedido do jovem e, orgulhosa, professou a sua fé: “Sou a serva do Eterno Deus, que disse: ‘Quando forem levados diante dos reis e dos príncipes, não se preocupem o que devem dizer, porque não serão vocês a falar, mas o Espírito Santo falará por vocês’”. Pascasio, retrucou: “Você acredita ter o Espírito Santo? ”. Luzia respondeu: “O Apóstolo disse: ‘Os castos são santuários de Deus e o Espírito Santo mora neles’”. Para desacreditá-la, Pascasio manda levá-la ao prostíbulo. Mas, Luzia continua a declarar que não iria ceder à concupiscência da carne; e, qualquer violência que seu corpo tivesse que sofrer, continuaria casta, pura e incontaminada no espírito e na mente. De modo extraordinariamente imóvel, os soldados não conseguem levá-la; com as mãos e os pés amarrados, não conseguem arrastá-la nem com os bois. Irritado com este acontecimento excepcional, Pascasio mandou queimar a jovem, mas o fogo não a atingiu. Furioso, Pascasio decidiu matá-la com um golpe de espada. Assim, Luzia foi decapitada em 13 de dezembro de 304.”
Templo vivo do Espírito Santo
Santa Luzia participou com tal fervor da celebração eucarística que disse à mãe: “Se a senhora acreditar no que foi lido, também acreditará que Ágata, que sofreu o martírio por Cristo, teve livre acesso ao tribunal divino. Por isso, se quiser ser curada, toque, com confiança, a sepultura dela”. Nesse momento, Santa Ágata aparece a Luzia, confirma sua fé e concede a cura da mãe.
Uma menina nos ensina o amor a Jesus Eucarístico e a atenção devida ao que é lido e dito durante toda a Santa Missa, conduzindo-nos à graça dos milagres, pois o maior milagre se faz ali presente: um Deus que se faz pão, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade.
Outro fato importante mencionado acima, na vida de Santa Luzia, é que ela se deixou guiar pelo Espírito de Deus e declarou, sem hesitar, ser Templo Vivo do Espírito Santo, quando questionada por Pascásio. E, porque Deus não abandona quem n’Ele confia, protegeu miraculosamente seu corpo casto. Para nós, na Mel, o Espírito Santo é o esplendor da luz divina, manifestado na vivência contínua da “efusão do Espírito”. Assim, Santa Luzia, como modelo de nossa espiritualidade, ensina-nos a abandonar-nos confiantemente ao Espírito Santo de Deus que, de modo ordinário ou extraordinário, fará cumprir em nós somente a Sua Vontade, protegendo nosso corpo como templo vivo desse mesmo Espírito.
Testemunho de graça alcançada
Confira o testemunho de Danilo Roriz, vocacionado da Comunidade Mel de Deus, que alcançou uma graça por intercessão de Santa Luzia:
“Quando eu tinha seis meses de idade, tive catarata e glaucoma no olho esquerdo, necessitando de quatro cirurgias durante a infância. Foi então que minha mãe me consagrou a Santa Luzia para que a cegueira total não me atingisse – risco iminente – e para que ela obtivesse a graça de conseguir pagar o tratamento. Graças a essa poderosa santa, hoje enxergo ela não só preservou minha visão, mas intercedeu para que as escamas dos meus olhos caíssem, permitindo-me enxergar onde estão a verdadeira vida e a verdadeira felicidade: no CÉU. ”
Santa Luzia, rogai por nós ensinai-nos a participar com fervor da Eucaristia e sermos templos vivos do Espírito Santo de Deus.