Mateus 14, 22-36

“Senhor, salva-me!” (Mt 14,30)O Evangelho de hoje (Mt 14,22-36) revela uma batalha que acontece diariamente dentro de cada um de nós: a batalha entre a nossa humanidade e a vida no Espírito. É o confronto entre a força da carne, que insiste em controlar tudo, e o grito da alma que deseja confiar plenamente em Deus. Muitas vezes sabemos que Deus é maior, que o Espírito Santo pode todas as coisas, mas ainda permitimos que a nossa lógica humana fale mais alto. Quantas vezes a razão, o medo, a insegurança e a preocupação ocupam o lugar que deveria ser da fé!

É exatamente isso que acontece com Pedro. Ele já conhecia Jesus, já havia visto milagres, já o reconhecia como o Messias. Mesmo assim, quando vê Jesus caminhando sobre as águas, a primeira reação não é de fé, mas de medo. Ele pensa que é um fantasma. A tempestade foi maior aos seus olhos do que a certeza da presença de Cristo.

Assim também acontece conosco. Quando chegam as tempestades da vida, as enfermidades, as dificuldades financeiras, os problemas familiares ou as lutas espirituais, a primeira tendência do nosso coração é confiar apenas nas nossas forças. Procuramos soluções humanas, fazemos planos, preocupamo-nos, mas muitas vezes nos esquecemos da primeira atitude que deveríamos ter: ajoelhar-nos diante de Deus e rezar.

No entanto, Jesus nunca deixa de falar ao nosso coração. Assim como disse aos discípulos: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo.” Sua Palavra continua ecoando hoje. Quando a escutamos, encontramos coragem para dar passos que pareciam impossíveis.Pedro responde a essa voz. Ele desce da barca e começa a caminhar sobre as águas. Enquanto mantém os olhos fixos em Jesus, o impossível acontece. Mas basta desviar o olhar para o vento e para as ondas para que o medo volte a dominar seu coração. Então, ele começa a afundar. Essa também é a nossa história. Quantas vezes começamos uma caminhada de conversão! Iniciamos uma vida de oração, a Santa Missa diária, a confissão frequente, o Santo Rosário e a leitura da Palavra. Experimentamos a força da graça. Mas, se deixamos de vigiar, pouco a pouco voltamos a olhar para os problemas, para os medos e para as nossas limitações. Quando tiramos os olhos de Jesus, começamos a afundar.

Mas é justamente nesse momento que o Evangelho revela uma das maiores manifestações da misericórdia de Deus. Pedro não permanece afundando em silêncio. Ele faz uma oração curtíssima, mas cheia de confiança: “Senhor, salva-me!” E, imediatamente, Jesus estende a mão.

Que consolo para nós! Mesmo quando a nossa fraqueza fala mais alto, mesmo quando caímos, mesmo quando a nossa humanidade vence por alguns instantes, basta um coração arrependido que clama: “Senhor, salva-me!”, e Cristo estende novamente a sua mão. O único perigo verdadeiro não é cair. O verdadeiro perigo é deixar de acreditar que Deus ainda pode nos levantar. Enquanto houver um coração que clama por misericórdia, haverá uma mão estendida para salvar.

Por isso, nesta batalha entre a carne e o Espírito, aprendamos a manter os olhos fixos em Jesus. Quando vierem as tempestades, não alimentemos o medo, mas a oração. Não fortaleçamos a preocupação, mas a confiança. Não deixemos que a humanidade silencie a voz da graça. E, se em algum momento começarmos a afundar, não tenhamos vergonha de repetir a oração de Pedro, que continua atravessando os séculos e chegando ao coração de Deus: “Senhor, salva-me!”Quem clama com sinceridade: “Senhor, salva-me!”, jamais é abandonado. A misericórdia de Deus sempre alcança aqueles que confiam n’Ele.

Autor: Fabrício Martins Brito

Membro de aliança da comunidade Mel de Deus

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