Homilia de abertura do Retiro Geral da Comunidade Mel de Deus 2026
“O que foi semeado em terra boa é aquele que ouve a Palavra, a compreende e produz fruto.” (Mt 13,23)
O Retiro Geral da Comunidade Mel de Deus teve início com um convite à escuta e à conversão do coração. Meditando sobre a parábola do semeador, Frei Josué conduziu a assembleia a refletir sobre uma pergunta que toca profundamente a vida de todo cristão: por que algumas pessoas acolhem a Palavra de Deus e perseveram, enquanto outras, mesmo depois de uma experiência forte com o Senhor, acabam desanimando ao longo do caminho?
Essa pergunta acompanha a história da Igreja e pode ser percebida também dentro das comunidades. Há pessoas que iniciam a caminhada cristã com grande entusiasmo, participam dos encontros, descobrem a beleza da fé e parecem dispostas a entregar toda a vida a Deus. No entanto, diante das primeiras dificuldades, perdem o fervor e acabam se afastando. Outras atravessam crises, provações e momentos de aridez, mas permanecem firmes, confiando que o Senhor continua conduzindo seus passos.
Além disso, há aqueles que produzem frutos abundantes, enquanto outros oferecem sessenta ou trinta por um. O próprio Evangelho apresenta essa diversidade. Mas de onde nasce essa diferença? Seria Deus quem escolhe favorecer alguns e conceder menos graças a outros? Para Frei Josué, a resposta está longe dessa ideia. O Senhor deseja a salvação de todos e oferece a mesma Palavra a cada pessoa. O que muda não é a qualidade da semente, mas o terreno onde ela é acolhida.
Para explicar essa realidade, Frei Josué recordou uma das imagens mais belas de Santa Teresinha do Menino Jesus. A santa compara a Igreja a um grande jardim, onde cada planta possui sua beleza e sua missão. Algumas são como as rosas, exuberantes e perfumadas. Outras lembram as pequenas violetas, discretas, mas igualmente preciosas. Há ainda a grama, que forma o tapete verde, e tantas outras plantas que completam a harmonia da criação. Nenhuma existe isoladamente; juntas revelam a beleza do jardineiro.
Assim também acontece no povo de Deus. O Senhor não deseja que todos desempenhem a mesma função ou manifestem os mesmos dons. Pelo contrário, Ele distribui diferentes vocações para que, na diversidade, sua glória seja ainda mais visível. Cada pessoa é chamada a florescer segundo aquilo que recebeu, contribuindo para a beleza do Reino com a própria vida.
Entretanto, existe algo que todos recebem igualmente: a Palavra de Deus. A semente lançada pelo semeador é sempre a mesma. Ela possui a mesma força, a mesma capacidade de gerar vida e o mesmo poder de transformar os corações. O que determina os frutos não é a semente, mas a forma como cada pessoa a acolhe.
Por isso, Jesus convida cada discípulo a olhar para dentro de si e fazer um sincero exame de consciência. Antes de perguntar por que outros produzem mais frutos, é preciso fazer uma pergunta muito mais importante:
Como está o terreno do meu coração?
Não basta estar na Mel de Deus, é preciso ser Mel de Deus
Ao aprofundar a parábola do semeador, Frei Josué mostrou que a Palavra de Deus precisa encontrar um coração disposto a acolhê-la. Assim como um agricultor prepara a terra antes do plantio, também a vida espiritual exige cuidado, cultivo e perseverança. Sem esse trabalho interior, até mesmo a melhor semente encontrará dificuldades para criar raízes e produzir os frutos que Deus espera.
Esse chamado leva cada membro da comunidade a fazer um exame sincero sobre a própria caminhada. Não basta participar das atividades, frequentar as celebrações ou estar presente nos retiros. Existe uma diferença entre simplesmente fazer parte de uma comunidade e permitir que sua espiritualidade transforme toda a vida.
Foi nesse contexto que Frei Josué destacou uma expressão que marcou sua reflexão:
Existe uma diferença entre estar na Mel de Deus e ser Mel de Deus.
Ser Mel de Deus significa permitir que o carisma alcance todas as dimensões da existência. Significa deixar que a intimidade com Deus transforme as escolhas, a maneira de servir, os relacionamentos, a vida familiar e a resposta cotidiana à vocação recebida. Não se trata apenas de pertencer a um grupo, mas de assumir um estilo de vida moldado pelo Evangelho.
Entretanto, essa transformação acontece por etapas. A caminhada cristã possui momentos de grande entusiasmo, mas também períodos em que Deus conduz seus filhos a uma maturidade mais profunda. Em muitos casos, o Senhor permite que desapareçam as consolações iniciais para ensinar seus discípulos a permanecerem fiéis mesmo quando já não experimentam as mesmas emoções do começo.
É justamente nesses momentos que surgem perguntas decisivas. Estou vivendo verdadeiramente a vocação que Deus me confiou? Tenho correspondido à graça que recebi? Minha vida continua sendo moldada pela Palavra ou apenas mantenho uma rotina religiosa? Essas perguntas ajudam o coração a permanecer vigilante e impedem que a fé se reduza apenas a um sentimento passageiro.
A maturidade espiritual nasce quando aprendemos a permanecer fiéis mesmo nos dias comuns. O amor verdadeiro não depende apenas do entusiasmo, mas da decisão diária de continuar caminhando com Cristo. É essa fidelidade que prepara o coração para acolher cada vez mais profundamente a Palavra de Deus e produzir frutos duradouros.
O coração que se fecha
Ao explicar o primeiro tipo de terreno apresentado por Jesus, Frei Josué chamou a atenção para um perigo que pode atingir qualquer cristão: o fechamento do coração. Muitas pessoas iniciam sua caminhada com grande alegria. Participam de um retiro, fazem uma experiência profunda com Deus, descobrem a beleza da comunidade e sentem o desejo sincero de entregar toda a vida ao Senhor. Porém, com o passar do tempo, deixam de acolher a Palavra com a mesma disponibilidade.
Essa realidade também pode ser percebida nos relacionamentos humanos. Quantos casamentos entram em crise não porque o casal deixou de conviver, mas porque os corações já não conseguem mais se encontrar? As pessoas permanecem próximas fisicamente, mas qualquer palavra do outro passa a ser interpretada como ofensa, crítica ou motivo de irritação. A proximidade permanece, mas a comunhão desaparece.
Segundo Frei Josué, algo semelhante pode acontecer na vida espiritual. Podemos continuar frequentando a Igreja, participando das Missas, dos retiros e das atividades da comunidade, enquanto o coração, aos poucos, vai se endurecendo. A Palavra continua sendo proclamada, mas já não encontra espaço para transformar a vida.
Esse fechamento costuma manifestar-se de forma silenciosa. A pessoa passa a pensar: “Eu já ouvi essa pregação. Já conheço essa passagem do Evangelho. É sempre a mesma mensagem.” Entretanto, o problema não está na Palavra de Deus, que permanece sempre viva e atual. O verdadeiro obstáculo é um coração que deixou de escutar com humildade.
Por isso, Frei Josué convidou toda a assembleia a fazer uma oração simples, mas profundamente necessária:
“Senhor, não deixe o meu coração se fechar.”
Deus continua realizando sua obra na história e permanece conduzindo seu povo através daqueles que escolhe. Como recorda a primeira leitura, o Senhor promete:
“Eu vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentarão com clarividência e sabedoria.” (Jr 3,15)
Ao olhar para a história da Comunidade Mel de Deus, Frei Josué recordou quantas graças o Senhor já realizou ao longo dos anos. Muitos chegaram ainda crianças e hoje constituíram família. Outros descobriram sua vocação, celebraram o matrimônio ou encontraram, na comunidade, um lugar onde amadureceram na fé. Tudo isso testemunha a fidelidade de Deus, que continua conduzindo sua obra.
Entretanto, essa história só continua produzindo frutos quando cada pessoa permanece aberta à ação da graça. Sempre que o coração se fecha, a Palavra deixa de encontrar espaço para criar raízes. Por isso, a conversão não é um acontecimento isolado, mas uma atitude que precisa ser renovada todos os dias.
As pedras do coração
Depois de apresentar o coração que se fecha à ação de Deus, Frei Josué voltou-se para o segundo terreno descrito por Jesus na parábola do semeador. Trata-se daquele que acolhe a Palavra com alegria, mas não permite que ela crie raízes profundas. À primeira vista, tudo parece caminhar bem. A pessoa faz uma experiência verdadeira com Deus, sente entusiasmo pela fé e deseja viver uma vida nova. Contudo, quando chegam as provações, a perseverança dá lugar ao desânimo, porque ainda existem pedras escondidas no coração.
Essas pedras representam tudo aquilo que impede a graça de aprofundar suas raízes. Muitas delas nascem das feridas da própria história. Quantas pessoas carregam marcas deixadas por experiências de sofrimento, abusos, violência familiar, abandono ou perdas profundas? Quantos conheceram de perto as consequências destruidoras do álcool, das drogas ou de outras situações que deixaram cicatrizes difíceis de superar? Embora a Palavra tenha sido acolhida com sinceridade, essas feridas ainda precisam ser alcançadas pela ação restauradora de Deus.
Entretanto, as pedras não se limitam às dores do passado. Muitas vezes elas também aparecem nas atitudes que cultivamos diariamente. A dificuldade de perdoar, a resistência em obedecer, a incapacidade de mudar, os vícios, os temperamentos difíceis, a imaturidade afetiva e tantas outras fragilidades impedem que a Palavra cresça livremente dentro de nós. São obstáculos que limitam nossa resposta ao Senhor e enfraquecem nossa caminhada espiritual.
Por isso, Frei Josué recordou que o papel da comunidade não é controlar a vida das pessoas, mas ajudá-las a amadurecer. A formação cristã existe justamente para favorecer esse crescimento humano e espiritual, conduzindo cada membro a uma liberdade cada vez maior diante da vontade de Deus. Enquanto essas pedras permanecerem intocadas, as raízes da Palavra encontrarão pouco espaço para se desenvolver.
Diante dessa realidade, Frei Josué convidou todos a fazer uma oração de confiança, permitindo que Cristo alcance as áreas mais profundas da própria vida:
“Senhor, cura as pedras do meu coração. Cura meus traumas, meus vazios e tudo aquilo que impede a tua graça de produzir frutos em mim.”
Os espinhos que sufocam a Palavra
Jesus apresenta ainda um terceiro tipo de terreno: aquele onde a semente chega a crescer, mas acaba sufocada pelos espinhos. Ao comentar essa passagem, Frei Josué explicou que esse coração representa pessoas que possuem muitos dons, entusiasmo e boa vontade, mas permitem que outras preocupações ocupem o lugar que pertence somente a Deus. A Palavra continua presente, porém deixa de ser a prioridade da vida.
Entre esses espinhos, um dos mais perigosos é a ilusão da riqueza. Vivemos em uma sociedade que constantemente nos convence de que a felicidade depende daquilo que possuímos. A publicidade cria novas necessidades, o consumo torna-se um ideal de vida e, pouco a pouco, o coração passa a acreditar que será plenamente realizado quando conquistar mais bens, mais conforto ou mais segurança material.
Frei Josué destacou que desejar uma vida digna para si e para a própria família não é um problema. É natural que pais e mães trabalhem para oferecer melhores condições aos seus filhos e procurem crescer profissionalmente. O perigo começa quando essas preocupações deixam de ocupar um lugar secundário e passam a dominar completamente o coração, fazendo com que Deus deixe de ser o centro da existência.
Quando isso acontece, até mesmo uma vocação pode ser sufocada. O excesso de preocupações, a busca desenfreada pelo sucesso ou o apego às coisas materiais tornam-se espinhos que impedem a Palavra de produzir frutos. Aos poucos, a vida espiritual perde espaço, a oração torna-se superficial e o relacionamento com Deus passa a ser deixado para depois. Sem perceber, a pessoa continua ouvindo o Evangelho, mas já não consegue vivê-lo com a mesma intensidade.
A parábola do semeador recorda que esses espinhos precisam ser arrancados continuamente. O coração nunca permanece vazio: ou Deus ocupa o primeiro lugar ou outras preocupações acabam tomando esse espaço. Por isso, a cada dia somos convidados a renovar nossa confiança na providência divina e permitir que a Palavra permaneça acima de qualquer outro interesse.
A terra boa e os frutos que Deus espera
Depois de apresentar os terrenos que impedem a semente de frutificar, Jesus revela também a esperança da parábola: existe a terra boa. Esse é o coração que acolhe a Palavra, persevera na fé e permite que a graça transforme toda a sua vida. Não se trata de um coração perfeito, mas de alguém que permanece disponível para Deus, mesmo em meio às dificuldades e desafios da caminhada cristã.
O Evangelho afirma que essa terra produz frutos diferentes. Alguns rendem cem por um, outros sessenta e outros trinta. Frei Josué explicou que essa diferença não significa que Deus ame mais algumas pessoas do que outras. O Senhor conhece a história, os dons e as circunstâncias de cada filho. Por isso, não mede todos com o mesmo critério, mas espera de cada um uma resposta generosa à graça recebida.
Para aprofundar essa verdade, Frei Josué recordou a parábola dos talentos. Ali, Jesus mostra que cada servo recebeu uma quantidade diferente, mas todos foram chamados à mesma fidelidade. O elogio do Senhor não depende da quantidade entregue, mas da forma como cada um correspondeu ao dom recebido. Aquele que recebeu muito deve oferecer muito. Aquele que recebeu menos também é chamado a entregar tudo aquilo que recebeu.
Por isso, o verdadeiro problema não é produzir trinta, sessenta ou cem frutos. O perigo está em esconder os talentos, acomodar-se na preguiça espiritual ou permitir que a tibieza impeça o crescimento da vida cristã. Deus não faz comparações entre seus filhos. Ele apenas espera que cada um responda com fidelidade e coloque a serviço do Reino tudo aquilo que recebeu de suas mãos.
Essa é a terra boa que Jesus deseja encontrar em cada coração. Um terreno livre das pedras que impedem as raízes, sem os espinhos que sufocam a Palavra e sempre disposto a acolher a ação da graça. É dessa forma que a Palavra de Deus produz frutos abundantes e transforma a vida daqueles que se deixam conduzir pelo Senhor.
O Senhor é o Pastor que conduz seu povo
Depois de refletir sobre os diferentes terrenos apresentados por Jesus, Frei Josué recordou que a caminhada cristã acontece em meio a uma verdadeira batalha espiritual. Cada pessoa enfrenta suas próprias lutas, carrega uma história marcada por alegrias e sofrimentos e precisa lidar diariamente com desafios que exigem perseverança. No entanto, nenhuma dessas dificuldades é enfrentada sozinha. Aquele que acolhe a Palavra de Deus pode caminhar com a certeza de que o Senhor permanece conduzindo seu povo em todos os momentos.
Essa confiança encontra sua expressão mais bonita no Salmo proclamado na liturgia. Ao rezar as palavras do salmista, a Igreja recorda que Deus não abandona aqueles que nele colocam sua esperança. Pelo contrário, conduz seus filhos com a ternura de um pastor que conhece cada uma de suas ovelhas e permanece ao seu lado mesmo nos momentos mais difíceis da caminhada.
“O Senhor é o pastor que me conduz; nada me faltará.” (Sl 22(23))
Ao meditar esse salmo, Frei Josué destacou que o Senhor continua guiando seu povo por caminhos seguros. É Ele quem conduz às águas tranquilas, restaura as forças da alma e oferece descanso aos corações cansados. Mesmo quando atravessamos o vale escuro das provações, não precisamos viver dominados pelo medo, porque sua presença permanece constante. Seu bastão e seu cajado tornam-se sinal de proteção, direção e segurança para aqueles que confiam na sua Palavra.
Além disso, o salmo revela outra grande promessa: Deus prepara uma mesa para os seus filhos. Frei Josué recordou que essa mesa encontra sua plena realização na Eucaristia, onde Cristo continua alimentando a Igreja com seu próprio Corpo e Sangue. É nesse encontro com o Senhor que recebemos a força necessária para continuar caminhando, renovar nossa esperança e perseverar na vocação que nos foi confiada.
Por isso, a oração do salmista torna-se também a profissão de fé de todo cristão. Quem experimenta a bondade de Deus aprende a confiar que sua misericórdia acompanha cada passo da caminhada. Ainda que existam dificuldades, perseguições ou momentos de escuridão, permanece a certeza de que o Bom Pastor jamais abandona aqueles que colocou sob os seus cuidados.
“Eu permanecerei na casa do Senhor pelos tempos infinitos, pois sua bondade e misericórdia hão de me acompanhar todos os dias da minha vida.”
O chamado ao serviço: “Eis-me aqui”
Depois da homilia, a Palavra proclamada encontrou uma resposta concreta na vida da comunidade. Diante do altar, aconteceu o chamado dos novos candidatos ao serviço do acolitado, tornando visível que toda escuta autêntica da Palavra conduz naturalmente à missão. Deus fala ao coração para despertar vocações, formar discípulos e enviar homens e mulheres para servir ao seu povo.
Foram então chamados seis jovens que iniciam uma nova etapa em sua caminhada vocacional:
Nicolas.
Miguel.
Mateus José.
João Pedro.
Isaac.
Mateus Tuluá.
À medida que seus nomes eram pronunciados, cada um respondeu com simplicidade e disponibilidade:
“Eis-me aqui.”
Essa breve resposta resume toda a história da salvação. Foi com essa mesma disposição que tantos homens e mulheres disseram “sim” ao chamado de Deus ao longo das Escrituras. Antes de conhecerem todos os detalhes da missão, colocaram-se nas mãos do Senhor, confiando que Ele mesmo lhes daria a graça necessária para cumprir aquilo que lhes confiava.
Ao serem apresentados diante da comunidade, esses jovens assumiram o compromisso de servir ao altar, colaborar nas celebrações litúrgicas e crescer no amor à Eucaristia. Mais do que exercer uma função, iniciam um caminho de formação que os convida a cultivar um coração cada vez mais disponível à vontade de Deus. O serviço litúrgico nasce da intimidade com Cristo e conduz quem serve a uma vida de maior fidelidade ao Evangelho.
Por isso, Frei Josué convidou toda a comunidade a rezar por esses novos candidatos ao acolitado. Que o Senhor fortaleça sua vocação, os faça crescer na humildade e os ensine a servir com alegria, reconhecendo que toda missão na Igreja nasce de um coração que primeiro aprendeu a escutar a voz de Deus.
Preparar o coração para acolher a Palavra
Ao concluir sua reflexão, Frei Josué voltou à pergunta que conduziu toda a homilia. A Palavra de Deus continua sendo anunciada todos os dias. O semeador não deixa de lançar a semente, porque o amor de Deus jamais se cansa de procurar um coração disposto a acolhê-la. Diante dessa certeza, a grande questão já não está na qualidade da semente, mas na disposição do terreno que a recebe.
Cada um é chamado, portanto, a olhar para dentro de si e reconhecer aquilo que ainda precisa ser transformado. Existem corações endurecidos que precisam voltar a escutar. Existem pedras que necessitam ser retiradas para que a Palavra crie raízes profundas. Existem espinhos que sufocam a graça e precisam ser arrancados. Ao mesmo tempo, Deus continua preparando uma terra boa, capaz de produzir frutos abundantes para o Reino.
Esse caminho de conversão não acontece apenas em um retiro ou em um momento isolado da vida espiritual. Trata-se de uma resposta renovada diariamente, na qual cada discípulo permite que Cristo transforme seus pensamentos, escolhas e atitudes. É assim que a Palavra deixa de ser apenas escutada e passa a moldar toda a existência, tornando-se fonte de uma vida fecunda.
Ao iniciar o Retiro Geral da Comunidade Mel de Deus, Frei Josué recordou que Deus continua realizando sua obra naqueles que permanecem disponíveis à sua graça. Que este tempo de retiro seja uma oportunidade para preparar novamente o terreno do coração, permitindo que o Senhor retire tudo aquilo que impede a fecundidade da sua Palavra. Assim, fortalecidos pelo Bom Pastor e sustentados pela ação do Espírito Santo, poderemos produzir os frutos que Deus espera de cada um de nós e responder, todos os dias, com generosidade:
“Eis-me aqui, Senhor.”