Jeremias 18,1-6

“Como o barro na mão do oleiro, assim sois vós em minhas mãos.” (Jr 18,6)

Hoje Jesus aquece o nosso coração e nos faz um convite muito especial. Não importa em que momento da sua vida você encontrou o Senhor. Não importa se você O conheceu ainda na infância ou depois de muitos anos vivendo longe d’Ele. Não importa quando Jesus passou pela sua vida e disse: “Vem, segue-me.” O que importa é a resposta que damos hoje.

Muitos de nós, que caminhamos na Comunidade Mel de Deus e buscamos viver esse carisma, trazemos uma história marcada por feridas, pecados, quedas e escolhas erradas. São lembranças que, às vezes, insistem em voltar à nossa memória. Mas Jesus nos ensina que quem se torna discípulo do Reino não despreza a própria história; aprende a olhar para ela com os olhos da graça.

As “coisas velhas” do nosso tesouro não são apenas as recordações dolorosas. São também as lições que Deus escreveu em nossa vida. Quantas vezes fomos libertos de situações que poderiam ter destruído nossa família, nossa vocação e nossa alma! Quantos livramentos recebemos sem sequer perceber! Quantas vezes Deus colocou sua mão poderosa sobre nós e nos arrancou de lugares onde hoje sabemos que jamais devemos voltar!

Por isso, não podemos olhar para o nosso passado apenas com um olhar de condenação. Devemos contemplá-lo à luz de Cristo. Quando fazemos isso, descobrimos que até mesmo as nossas quedas se tornam escola de humildade, de vigilância e de dependência de Deus.

É exatamente isso que aprendemos quando permitimos que a luz do Evangelho ilumine toda a nossa história. O pecado deixa de ser motivo de orgulho, mas também deixa de ser motivo de desespero. Ele se torna memória da misericórdia de Deus.

A primeira leitura nos apresenta Jeremias na casa do Divino Oleiro. O vaso se estraga em suas mãos, mas o oleiro não o joga fora. Ele amassa novamente o barro e faz dele um vaso novo, conforme acha melhor.

Assim também somos nós. Nosso coração é barro nas mãos do Divino Oleiro. E, enquanto permanecermos em suas mãos, nunca estaremos perdidos. Podemos cair muitas vezes, mas jamais devemos pecar contra a misericórdia de Deus, acreditando que não existe mais esperança. Deus sempre pode refazer aquilo que parecia destruído. Sempre pode restaurar o que o pecado deformou. Sempre pode dar uma forma nova à nossa vida.

A única atitude que Ele espera de nós é que não fujamos das suas mãos. Assim como Israel foi chamado a confiar no Senhor, também nós somos convidados hoje a nos abandonar completamente nas mãos do Divino Oleiro. Que Ele retire do tesouro da nossa vida tanto as coisas novas quanto as antigas; que use nossas alegrias, nossas dores, nossas vitórias e até nossas cicatrizes para manifestar sua glória.

Quanto mais nos deixarmos moldar pelo Divino Oleiro, mais nos pareceremos com Cristo. Então, toda a nossa história, até mesmo aquilo que antes era motivo de vergonha, transformar-se-á em testemunho da infinita misericórdia do Senhor.

“Não tenha medo da sua história. Tenha medo apenas de sair das mãos do Oleiro. Porque o barro, sozinho, apenas endurece e quebra; mas, nas mãos de Deus, torna-se uma obra-prima da sua graça.”

Autor: Fabrício Martins Brito

Membro de aliança da comunidade Mel de Deus

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