Mateus 6,7-15
Antes de rezarmos o Pai-Nosso na Santa Missa, ouvimos um convite muito especial: “Irmãos e irmãs, oremos com amor e confiança a oração que o Senhor Jesus nos ensinou.” Em algumas celebrações, também somos recordados da liberdade dos filhos de Deus. Mas existe algo que rouba essa liberdade: a trena que carregamos dentro do coração.
Jesus disse: “Com a mesma medida com que medirdes os outros, vós também sereis medidos.” (Mt 7,2)
Muitas vezes imaginamos uma régua, algo fixo e reto. Mas, na verdade, parece que carregamos uma trena. E a trena tem um problema: ela estica e encolhe conforme os nossos interesses.
Quando alguém nos machuca, esticamos a trena ao máximo. Medimos cada palavra, cada erro, cada falha. Guardamos tudo na memória. Mas, quando somos nós que erramos, a trena encolhe. Procuramos justificativas, explicações e desculpas.
Há pessoas para quem perdoamos pecados enormes. Outras, porém, não conseguimos perdoar pequenas ofensas. Não porque o erro foi maior ou menor, mas porque o nosso coração usa medidas diferentes.
E é exatamente isso que nos aprisiona. O ressentimento prende mais quem guarda do que quem ofende. A falta de perdão é uma prisão construída por nós mesmos. Enquanto medimos os outros, permanecemos acorrentados àquilo que aconteceu.
Jesus, porém, nos mostra outro caminho. Ele é o Filho perfeito do Pai. E, sendo inocente, carregou sobre si todos os pecados da humanidade. Na cruz, não mediu o tamanho da ofensa. Não pegou uma trena para calcular quem merecia misericórdia. Apenas amou.
Somos chamados a nos assemelharmos a Ele. Por isso, no Pai-Nosso, rezamos: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.”
É Jesus dizendo: “Jogue fora a trena.” Pare de medir quem merece ou não merece perdão. Pare de calcular quem errou mais ou menos. Pare de ocupar o lugar de juiz. Quem mede vive escravo. Quem perdoa vive livre.
A verdadeira liberdade dos filhos de Deus nasce quando deixamos de usar a medida humana e passamos a confiar na medida divina: a misericórdia.
No dia do nosso juízo, não queremos ser medidos pela trena dos homens. Queremos ser alcançados pela régua de Deus, que é feita de amor, compaixão e misericórdia. Essa não muda.
Por isso, hoje, o Senhor nos faz um convite simples e exigente: jogue fora a trena. Perdoe, liberte-se e recomece, na liberdade dos filhos de Deus.
A trena nos aprisiona, mas a misericórdia nos torna verdadeiramente livres, como filhos de Deus que verdadeiramente somos.
Autor: Fabrício Martins Brito
Membro de aliança da comunidade Mel de Deus